As lições dos massacres religiosos na Nigéria

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19 Junho 2012

Mais um massacre de cristãos no norte da Nigéria. Esses novos mártires de Cristo foram atingidos nesse domingo, nas suas igrejas: no recolhimento e na festa, entre cânticos e orações. Quem os matou os escolheu somente por isso, por serem cristãos, já que os assassinos, os Boko Haram e os seus aliados, querem justamente uma guerra religiosa antiocidental, ao abrigo da qual possam conquistar poder e recursos.

A reportagem é de Marco Ventura, publicada no jornal Corriere della Sera, 18-06-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Além disso, desta vez, a retaliação. A caça ao muçulmano e mais vítimas: o sangue de inocentes pago com o sangue de outros inocentes. A contabilidade dos mortos cristãos e muçulmanos, mais um ultraje ao Deus criador de todos.

A dramática conjuntura cria ilusões e oferece atalhos. Equivoca-se quem se compraz com a violência cristã; equivocam-se os cristãos se esperam que a vingança irá assustar os Boko Haram; equivocam-se os muçulmanos se esperam que as vítimas islâmicas irão anular a responsabilidade daqueles que, em nome do Islã, muitas vezes mataram primeiro.

A cristianofobia e a islamofobia são duas realidades do mundo global, dois fenômenos diferentes a serem compreendidos e combatidos. Não devem ser transformados em instrumento de retórica política e muito menos em categorias diplomáticas. As populações, as ONGs, as diplomatas correm o risco de cair na armadilha de quem usa o credo para dividir o mundo e para sequestrar partes dele.

O apoio ocidental ao governo e ao exército na Nigéria contra o terrorismo anticristão não tem legitimidade se depender do fato de que os mortos nas igrejas nos preocupam mais do que os outros. A negociação para o apoio dos países árabes e muçulmanos não deve visar à divisão de áreas de influência para as fés, onde se afirme o princípio de que cada um defende os seus próprios fiéis, como nos tempos do braço de ferro entre potências coloniais e o Império Otomano.

Se é impossível esperar que, para certas diplomacias islâmicas, todo fiel, todo ser humano conte da mesma forma, é necessário exigir que o estrela polar do Ocidente seja a igualdade de todas as pessoas, sem distinção de credo filosófico ou religioso.