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18 Abril 2012

"A desindustrialização da França não é mais uma ameaça, é um fato consumado'', escreveu François Hollande, candidato socialista e favorito na eleição presidencial, ao destacar um problema prioritário que diz querer enfrentar.

A reportagem é de Assis Moreira e publicada pelo jornal Valor, 18-04-2012.

Entre 2009 e 2011, nada menos de 880 fábricas foram fechadas e 494 começaram a funcionar. Ou seja, o país tem 385 fábricas a menos do que no começo de 2009. O que chama a atenção é a aceleração da desindustrialização, inclusive em setores antes protegidos, como o automotivo.

A França é agora o país da zona do euro com a menor parte de valor agregado da indústria no PIB - 9,3% em 2010, comparado a 12,1% na Espanha e 18,7% na Alemanha.

Entre 1980 e 2007, a indústria francesa perdeu 36% de seus efetivos, ou 71 mil por ano. A crise econômica de 2008 manteve o drama. E somente nos cinco anos da Presidência de Nicolas Sarkozy, a indústria destruiu 355 mil empregos.

Para Jérôme Fourquet, da Fundação Jean Jaures, a desindustrialização aparece como o sintoma e a causa do declínio francês. A mudança da produção para o exterior e o fechamento de fábricas são percebidos como uma perda de substância, um sangramento nas forças vivas que conduzem inexoravelmente a um país fragilizado, vulnerável e relegado às profundezas da economia mundial.

"Para os franceses, a industrialização simboliza a potência econômica de um país. É por isso que se fala sempre de 'país industrializado' para designar as nações mais desenvolvidas", nota Fourquet.

Industriais franceses procuram transferir parte de suas atividades para o setor de serviços. Nada menos de 20% da perda de empregos seriam ligados ao progresso técnico e à queda na demanda das famílias. A concorrência estrangeira seria responsável por 45% da destruição dos empregos industriais, segundo um estudo do governo.

Outros analistas retrucam com o sucesso francês no exterior: é o país da Europa com mais empresas no "Fortune 500". Mas, se grupos como Lafarge, Saint-Gobain e Schneider se beneficiam da globalização, a França não. Pode ter fortes empresas com bons lucros no exterior, mas que não contribuem para seu país porque não exportam, disse o industrial Jean-Louis Beffa.

A desindustrialização afeta duramente as exportações francesas, contribuindo com um recorde de € 70 bilhões em 2011. Desindustrialização e perda de competitividade se alimentam mutuamente. A fatia francesa no mercado de exportações diminuiu, como na maioria dos países desenvolvidos, por causa do avanço dos emergentes no comércio mundial. Caiu 3,5 pontos entre 2000 e 2010, o mais forte recuo na zona do euro. A diferença nas exportações entre a Franca e a Alemanha alargou-se em € 250 bilhões em dez anos, conforme o Instituto Coe-Rexecode.

A erosão da competitividade francesa leva ao questionamento do modelo social. Os franceses querem continuar tendo direito à generosa proteção social e serviços públicos decentes. O resultado é que o gasto público representam 56% do PIB francês, contra média de 43% na OCDE, acima até mesmo do gasto público na Suécia.

Assim, para boa parte de analistas, o modelo social dificulta para a indústria competir globalmente, mesmo quando bem administrada. Em dez anos, o custo da hora de trabalho cresceu 31%, contra 17% na Alemanha, mas os assalariados franceses acabam embolsando menos. Operários na fábrica da Peugeot na Eslováquia custam € 10 euros/hora, contra €35 na França.

Um empregador hoje paga na França o dobro de encargos sociais que na Alemanha. A taxa de desemprego na França é de 10%, contra 5,8% na Alemanha, e não ficou abaixo de 7% nos últimos 30 anos.

Além disso, como o país gasta pouco em pesquisa e desenvolvimento, a inovação em produtos é considerada pobre. Segundo a União Europeia, 47% das empresas francesas admitiram não ter feito nenhuma inovação entre 2006 e 2008, comparado a só 13% na Alemanha, por exemplo. Estima-se que 85% da pesquisa privada seja feita pela indústria. Quanto mais a base industrial se reduz, menos o país sustenta a pesquisa aplicada.

Políticos franceses buscam convencer a opinião pública de que o país é vitima de mercados globais, especialmente dos emergentes sem proteção social e ambiental, e todos defendem algum "protecionismo inteligente".

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