“Cuba está um pouco mais aberta, mas não o suficiente. O bloqueio? Inaceitável”

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Por: André | 29 Fevereiro 2012

O aniversário da Virgem da Caridade do Cobre, as dificuldades econômicas e a crise de valores. Em entrevista, o sacerdote José Félix Pérez Riera, secretário adjunto da Conferência Episcopal de Cuba, descreve o povo cubano que receberá Bento XVI, sem excluir que haja um encontro com Fidel e afirmando que (depois do célebre convite de Wojtyla, de 1998) Cuba se abriu ao mundo, “mas não o suficiente”.

A entrevista é de Marta Petrosillo e está publicada no sítio Vatican Insider, 27-02-2012. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Quais são as expectativas dos cubanos em relação à visita do Papa?

Bento chega a Cuba em um momento de graça, durante a festa pelos 400 anos da aparição da Virgem da Caridade. Todos nós esperamos que o Santo Padre confirme a nossa fé. E que nos dê também a caridade, entendida como virtude teologal, capaz de contribuir para a paz e a reconciliação entre os cubanos.

Que lembrança tem da viagem de João Paulo II em 1998?

A visita de Wojtyla deu um novo dinamismo à ação pastoral da nossa Igreja. Foi a primeira vez que a comunidade católica convocava publicamente os seus fiéis e falava livremente de Cristo nas praças. Graças a João Paulo II, o povo de Cuba viveu uma experiência de fé, como é a alma do seu povo.

Bento XVI encontrará uma Cuba diferente?

O país mudou nestes anos e tem um novo presidente, Raúl Castro. Mas sofremos com as dificuldades econômicas e com a forte crise de valores. Nestes anos, a Igreja contribuiu para melhorar o comportamento ético de todos os cubanos, mas a nossa sociedade ateia e materialista influi negativamente na população.

A crise piorou a situação econômica?

O bloqueio é inaceitável. A Igreja declarou isso mais de uma vez e insistiu nisso quando da visita de João Paulo II. É difícil determinar os efeitos da crise, mas influem em uma situação que por si só já é complicada. A questão econômica em Cuba é decisiva, porque, com seus salários inadequados, os trabalhadores não conseguem enfrentar as necessidades do dia a dia.

Em 1998, Wojtyla convidou o país a vencer o isolamento. De lá para cá Cuba se abriu ao mundo?

Creio que sim, mas trata-se de uma abertura insuficiente. Não apenas para o mundo, mas também para os próprios cubanos. Como admitiu o presidente Raúl Castro, é preciso encontrar pontos de acordo no campo da política e do social.

Acredita que a visita vá influir nas relações entre a Santa Sé e Cuba?

Uma simples visita não pode produzir uma mudança. Mas, sem dúvida, será uma ocasião útil para melhorar a comunicação entre as autoridades civis cubanas e os pastores da Igreja local.

Considera provável um encontro entre Ratzinger e Fidel?

O programa não prevê isso. Todavia, no Palácio da Revolução, o Papa se encontrará com a família do chefe de Estado...