''Somos a favor de uma Igreja que não exclua os divorciados em segunda união''

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23 Fevereiro 2012

A Associação das Mulheres Católicas Alemãs apoia os argumentos canônicos, pastorais, dogmáticos e teológico-morais que se abrem a novas formas de lidar com a questão dos divorciados em segunda união e que, assim, contribuem para a credibilidade de toda a Igreja.

Publicamos aqui o abaixo-assinado da Katholische Frauengemeinschaft Deutschlands (KFD), a Associação das Mulheres Católicas Alemãs, disponível no sítio Kfd-bundesverband.de, 26-09-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Crer e viver apaixonadamente

Contexto do abaixo-assinado "Somos a favor de uma Igreja que não exclua os divorciados em segunda união dos sacramentos"

Mesmo na Igreja Católica, a ruína do matrimônio se refere a um número cada vez maior de mulheres e de homens. A promessa feita uma vez para ficar juntos até a morte os separe não pode ser mantida por muitas pessoas por diversas razões.

Na Alemanha, um em cada três casamentos acaba em divórcio; nas grandes cidades, até um em cada dois. Cerca de 70% dos pedidos de divórcio são apresentados por mulheres. Hoje, cerca de 25% (retirado de Menschen in Trennung-Scheidung-Wiederheiret) de todos os novos casamentos são uma segunda união.

Segundo o direito canônico, um matrimônio contraído sacramentalmente é indissolúvel. Ele é a imagem da aliança entre o ser humano e Deus, é uma comunidade de vida e de destino por toda a vida. Segundo o direito civil, os divorciados ou pessoas em segunda união não estão excluídos da Igreja, mas participam da vida da Igreja como batizados. No entanto, os divorciados em segunda união são excluídos dos sacramentos (penitência, eucaristia e unção dos enfermos), porque são uma "contradição objetiva" para a aliança de amor entre Cristo e a Igreja (cf. Familiaris Consortio 84, Comunicações da Santa Sé nº 33).

Esse raciocínio dogmático esbarra em uma prática pastoral em que, crescentemente, ele é desmentido como cruel, não é mais entendido ou é vista como inútil para o apoio e a orientação dos divorciados em segunda união. As pessoas envolvidas sentem cada vez mais como um escândalo e até como um estorvo o fato de serem oficialmente excluídas do centro da vida eclesial. Muitos empregados da Igreja divorciados e em segunda união temem também que não poderão manter seus empregos.

Nas comunidades, tem prevalecido a prática de que os fiéis nessa situação participem da mesa eucarística, com base em uma decisão tomada conscientemente e em conversas com um ministro ordenado. O temor de que essa prática possa confundir os fiéis das comunidades se mostrou infundado.

Os sacramentos são sinais eficazes do amor de Deus pelas pessoas. Não são uma recompensa por um certo modo de vida, mas sim força e fortalecimento na fé, em todas as situações problemáticas e nas contradições da vida, especialmente nas fases difíceis. A Igreja, como comunidade e como hierarquia, deve ajudar, no ensino e na prática, a que as mulheres e os homens possam experimentar o amor de Jesus e a sua atitude humana e compassiva.

A Associação das Mulheres Católicas Alemãs sempre enfatizou, nos seus documentos, a importância e o significado do matrimônio cristão como sacramento e não fechou os olhos diante das crises da vida e das relações, diante de separações e divórcios, e da crescente diversidade de formas de vida e de famílias.

A Associação das Mulheres Católicas Alemãs apoia os argumentos canônicos, pastorais, dogmáticos e teológico-morais que se abrem a novas formas de lidar com essa questão e que, assim, contribuem para a credibilidade de todos nós como Igreja.

As perguntas postas pelo crescente número de divorciados em segunda união à comunidade eclesial e à sua prática vivida também podem ser uma oportunidade para todos nós como Igreja para descobrir novamente a mensagem libertadora do evangelho, mesmo diante de falhas e de recomeços.

Trata-se de colocar novamente juntos, em novas relações, tanto o ideal irrenunciável de união e fidelidade conjugal, quanto o anúncio realista sobre culpa, arrependimento e perdão.

Para o arcebispo Robert Zollitsch, assim como para muitos cristãos e cristãs, o modo de tratar os divorciados em segunda união é uma questão de misericórdia (cf. entrevista a Die Zeit, de 31-08-2011).

Este abaixo-assinado busca tornar novamente significativa a urgência e a necessidade de abordar a questão precisamente a partir do ponto de vista das mulheres que a vivem. Ele inicie no âmbito da Semana de Ação 2011 "Dafür stehen wir" ("Somos a favor de...") da Associação das Mulheres Católicas Alemãs, no centro da qual há 12 posições atuais tomadas pela associação. O título de uma dessas ações (que vai durar até 31-12-2011) é: "Nem tudo vai bem na vida. Ajudar às pessoas depois da separação e do divórcio".

Bibliografia para aprofundamento:

  • Eberhard Schockenhoff, Chancen zur Versöhnung? Die Kirche und die wiederverheirateten Geschiedenen, Herder Verlag, Freiburg 2011.
  • Menschen in Trennung-Scheidung-Wiederheirat, documentação do congresso-laboratório da arquidiocese de Friburgo e da diocese de Rottenburg-Stuttgart, maio de 2011. Disponível aqui.
  • Familiaris Consortio. Exortação apostólica sobre sobre a função da família cristã no mundo de hoje. Comunicações da Santa Sede n°. 33, 22-11-1981. Disponível aqui.

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