Protesto por uma Igreja credível

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09 Fevereiro 2012

A desolação no atual sistema da Igreja não é um bom testemunho para a "boa notícia" que nos move. Como o silêncio é interpretado como consentimento e como queremos assumir a nossa responsabilidade como padres e pastores, nos sentimos no dever de expressar este protesto em cinco pontos.

Publicamos aqui o protesto da Pfarrer-Iniciative (www.pfarrer-initiative.at), a Iniciativa dos Párocos Austríacos, divulgado em janeiro de 2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Desde o Apelo à desobediência, com o qual nos comprometemos para dar sinais da renovação da nossa Igreja com responsabilidade pessoal, vieram de muitos lugares do nosso país e do exterior expressões de aprovação e de incentivo – mas, da parte dos bispos, principalmente relutância, às vezes também uma violenta rejeição.

Raramente chegou-se ao diálogo, e jamais publicamente. Mas nós contrapomos muitas vezes à atual situação de sofrimento das comunidades e da pastoral devido à falta de padres e ao envelhecimento do clero um enfático NÃO:

1. Dizemos NÃO quando devemos assumir cada vez mais paróquias, porque isso nos transforma em celebrantes-viajantes e em dispensadores de sacramentos, o que foge do verdadeira ministério. Por isso, nos opomos à tendência a uma presença fugaz em muitos lugares, sem encontrar nem oferecer um ambiente acolhedor espiritual e afetivo.

2. Dizemos NÃO a cada vez mais celebrações eucarísticas no fim de semana, porque, desse modo, muitos dos serviços e pregações se tornam um ritual superficial e um discurso muito rotineiro, enquanto o encontro, o diálogo e a pastoral se atrofiam. Chegar um pouco antes da missa e ir embora logo depois transforma o nosso serviço em uma rotina oca.

3. Dizemos NÃO à fusão ou à dissolução das paróquias onde não se encontram mais párocos. Desse modo, é a carência que dita as leis, em vez de remediar a carência com a mudança de leis eclesiásticas não bíblicas. A lei é feita para as pessoas – e não o contrário. O direito canônico, em particular, deve estar ao serviço das pessoas.

4. Dizemos NÃO às exigências excessivas sobre os párocos, que são levados ao estresse pelo cumprimento de inúmeros deveres, aos quais não sobra nem tempo nem energia para uma vida espiritual e dos quais se espera o cumprimento dos deveres muito além da idade de aposentadoria. Assim, até mesmo a ação meritória realizada durante a vida pode ser danificada se exigida por um período muito longo.

5. Dizemos NÃO quando o direito canônico pronuncia um julgamento muito duro e cruel: contra os divorciados que ousam contrair um novo matrimônio, contra as pessoas do mesmo sexo que se amam e decidem viver juntas, contra os padres que não conseguem respeitar o celibato e, assim, entram em uma relação – e contra as muitas pessoas que obedecem mais à sua consciência do que a uma lei feita pelos homens.

Como o silêncio é interpretado como consentimento e como queremos assumir a nossa responsabilidade como padres e pastores, nos sentimos no dever de expressar este protesto em cinco pontos. É um "protesto" no sentido literal: um "testemunho para" uma reforma da Igreja, para o povo ao qual queremos ser o pastor e para a nossa Igreja.

A desolação no atual sistema da Igreja não é um bom testemunho para a "boa notícia" que nos move. Porque "não é nossa intenção dominar a fé que vocês têm, mas colaborar para que vocês tenham alegria" (2 Cor 1,24).

Conselho da Pfarrer-Initiatvie
Janeiro de 2012

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