Remessa de montadoras é recorde em 2011

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28 Janeiro 2012

A indústria automotiva brasileira alcançou recorde histórico de lucros e dividendos remetidos ao exterior. Segundo balanço do Banco Central, em 2011, foram US$ 5,58 bilhões -36,1% a mais que no ano anterior.

A reportagem é de Venceslau Borlina Filho e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 28-01-2012.

A movimentação coincide com o ano de agravamento da crise europeia, a queda na produção de peças e veículos no Japão e na Tailândia por causa do terremoto e do tsunami e a retomada dos investimentos no setor nos EUA.

De acordo com o balanço do BC, a remessa é superior à de bancos (US$ 3,15 bilhões) e à de empresas de telecomunicações (US$ 2,44 bilhões) - setores que mais enviam valores às matrizes no exterior.

Para o professor de economia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Célio Hiratuka, as remessas preocupam porque as montadoras poderiam aplicar os recursos no Brasil em vez de enviá-los às matrizes.

Segundo ele, em 2010, as montadoras anunciaram investimentos de US$ 3,8 bilhões no país. "O volume registrado comprova que os investimentos poderiam ser maiores do que os anunciados pelas empresas", disse.

A Anfavea (associação dos fabricantes de veículos) não quis se manifestar ontem sobre as remessas. No ano passado, a associação das marcas com fábrica no país anunciou investimentos de US$ 21 bilhões até 2015 no setor.

O presidente da Abeiva (associação dos importadores de veículos), José Luiz Gandini, criticou as empresas. "Quem vive fase de necessidade de proteção governamental não envia lucros exorbitantes às suas matrizes", disse.

Ele se referiu ao "lobby" da Anfavea no governo para elevar em 30 pontos percentuais o aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). O aumento passou a vigorar no dia 16 de dezembro e reduziu as vendas.

Gandini reiterou que espera respostas do governo sobre propostas feitas, entre elas a revisão do decreto que elevou o IPI e a fixação do teto de importação de veículos em 200 mil unidades por ano.

"Esse volume significa 5,6% do mercado brasileiro", afirmou.

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