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Sexta, 27 de janeiro de 2012
Mesmo sem a presença da líder mais conhecida da Federação de Estudantes Chilenos, Camila Vallejo, a experiência da mobilização do movimento estudantil chileno ganha destaque no Fórum Social Temático. Um relato sobre a ação dominou o painel ‘2011: o ano que não terminou’, que aconteceu nesta quinta-feira à tarde, no Acampamento Intercontinental da Juventude.
A reportagem é de Karen Viscardi e publicada pelo Jornal do Comércio, 27-01-2012.
O seminário aborda as diversas mobilizações populares que aconteceram mundo afora no ano passado e foi promovido pelo movimento estudantil Juntos, que defende o meio ambiente e uma educação de qualidade.
Além dos relatos presenciais, os mais de 70 jovens assistiram aos vídeos de ativistas da Argélia, Estados Unidos, Islândia e Portugal, que contaram suas experiências ao protestar contra o capitalismo, o neoliberalismo e ditaduras. Assim, Primavera Árabe, os Indignados, da Espanha, e o Ocupe Wall Street, nos Estados Unidos, estão na pauta dos debates dos jovens.
O estudante de História Pedro Lovera, de 22 anos, militante do Partido Movimento de Esquerda Revolucionária e defensor do projeto Escola Livre, representou a comitiva chilena e compartilhou a proposta de mobilização para despertar a consciência de estudantes, trabalhadores e sindicatos para uma maior participação na sociedade.
“Temos duas forças políticas que não representam as necessidades do povo”, assinala o estudante, explicando que as manifestações do ano passado resultaram em um movimento amplo que visa a aglutinar os setores de luta, chamado de Livres do Sul.
Outro projeto defendido pelos estudantes chilenos é o Escola Livre, que começou com um piloto em 2009 e já contempla dez unidades no país. Baseia-se no método da Pedagogia do Oprimido, do filósofo e educador brasileiro Paulo Freire - segundo o teórico, a educação popular busca a formação de uma consciência política.
Essa maior conscientização e a busca de alternativas de inclusão fazem parte da pauta de luta dos estudantes do Chile. Lovera considera que até mesmo a esquerda do seu país não contempla as necessidades de mudança da sociedade.
“A esquerda tem um discurso antigo que não se ajusta à realidade, por isso a necessidade de um grande movimento social”, afirma. Apesar da mobilização, o estudante explica que não houve uma mudança estrutural.
A luta dos chilenos não é exclusiva. Na Argentina, país de tradicional mobilização popular, os movimentos sociais cobram uma ruptura ao modelo neoliberal. Leandro Colisko, que integra o Movimento Socialista dos Trabalhadores, lembra que a causa dos indignados é mundial e relata uma expressiva participação dos jovens.
Por outro lado, o argentino cobra resultados. “Indignação sem organização não tem valor. Em 2001, derrubamos cinco presidentes em uma semana, mas não conseguimos colocar ninguém que efetivamente nos representasse. No nosso caso, a indignação sem organização chamava-se Nestor Kirchner.”

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