Fábrica de elevadores Hyundai vai para São Leopoldo

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20 Janeiro 2012

São Leopoldo ganhou a briga pela fábrica de elevadores que a Hyundai construirá no Rio Grande do Sul. O anúncio oficial do investimento de US$ 30 milhões será feito em uma cerimônia no município no dia 4. A decisão foi tomada recentemente, mas não foi divulgada porque, primeiro, devia ser revelada aos prefeitos de Santa Maria e Novo Hamburgo, que também disputavam a obra, negociada durante a visita do governador Tarso Genro à Coreia do Sul, no ano passado. O governador foi comunicado sobre a decisão no final da semana passada.

A reportagem é de Maria Isabel Hammes e publicada pelo jornal Zero Hora, 20-01-2012.

O grupo da Hyundai já escolheu, inclusive, salas no Tecnosinos onde ficará trabalhando nesta primeira etapa, em um edifício conhecido como Padre Rick.

A localização da fábrica ainda não está definida: pode ser no distrito industrial São Borja, próximo às instalações da Stihl, em uma área de 10 hectares, com possibilidade de futura expansão de mais 25 hectares. Mas também acabou de ser vistoriada uma outra área: no bairro Arroio da Manteiga, na zona norte de São Leopoldo.

Rápida conversa com Tarso

Foi na sexta-feira, em um rápido encontro, que o governador Tarso Genro foi comunicado pelo diretor da Hyundai, Victor Park, da decisão de instalar a fábrica em São Leopoldo. O executivo, que ontem estava viajando para a Arábia Saudita, explicou as razões da escolha, entre as quais, a boa localização – na Região Metropolitana, a proximidade com a Capital, aeroporto e porto.

Os benefícios fiscais oferecidos pelo município não foram considerados preponderantes, disse uma fonte, por Santa Maria “ter apresentado proposta muito boa. Inclusive, nem se descarta que Santa Maria receba outro futuro investimento da Hyundai”. Outra fonte classificou como determinantes a “logística”, a área oferecida e a proximidade com fornecedores.

Reunião hoje no Palácio

Hoje, às 11h30min, no Palácio Piratini, o chefe de gabinete do governador, Vinicius Wu, vai liderar uma reunião entre o Executivo, a prefeitura de São Leopoldo e a Secretaria do Desenvolvimento. O objetivo é acertar a solenidade do dia 4, “atividade muito importante para nós”, disse Wu, que só lamentou o fato de a data escolhida cair num sábado e ficar no meio do feriado.

– Mas isso é um bom problema – brincou.

Ganhou uma, mas espera mais

Bem satisfeito com o fim da novela da fábrica de elevadores, o prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi, agora quer mais. O município briga por mais um grande empreendimento: fábrica de semicondutores, projeto de US$ 120 milhões que tem potencial para gerar 750 empregos.

O investimento é disputado com outro Estado. A prefeitura entregaria ao governo dia 12 projeto de isenção fiscal e pedido de R$ 7 milhões de financiamento ao Badesul para a construção do prédio da companhia. Mas houve uma mudança de planos, pois o Badesul está tocando sozinho o projeto.

Portas para expansão

A chegada da Hyundai com fábrica de elevadores pode ser o primeiro de uma série de aportes do grupo em São Leopoldo. Consultores que acompanham a negociação dizem que outras empresas coreanas poderão aterrissar na cidade nos meses seguintes, seguindo um modelo de negócios pautado pela concentração de fornecedores.

Ou seja, a chegada da multinacional serve como atração para outras companhias. A abertura de um centro de pesquisas junto à fábrica poderá ficar para uma etapa posterior.

Com tudo

Quem não disfarçou o otimismo com os rumos que o Tecnosinos está tomando foi um dos empreendedores do parque tecnológico.

Ao comentar a decisão de mais uma companhia procurar o empreendimento, mesmo que de forma temporária, Ricardo Felizzola, presidente da HT Micron, falou, entusiasmado, sobre o novo projeto que consolida a alta tecnologia da região.

Protocolo com a Petrobras

Um dia antes do anúncio da localização da fábrica de elevadores, no dia 3, Petrobras, Hyundai, Samsung e governo do Estado assinarão protocolo de intenções para avaliar a possibilidade de o RS receber investimento de US$ 4,5 bilhões.

A verba poderá ser aplicada aqui se for implantado um terminal de regaseificação e uma fábrica de fertilizantes em Rio Grande. O grupo de trabalho terá seis meses para apresentar conclusões.

* * *

Os coreanos, que já estiveram várias vezes no Estado, têm discutido o assunto com a Petrobras. A Samsung, por exemplo, dispõe de uma nova tecnologia para transportar gás. E, ao final do trabalho do grupo, vai ser conhecido o preço do metro cúbico do gás no final do processo, fase vital para embasar a decisão que será tomada depois. A fábrica de fertilizantes seria uma das que garantiriam demanda ao terminal.