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Sujeira em rio gaúcho interrompe o abastecimento de água

A sujeira no Rio dos Sinos fez com que o abastecimento de água fosse interrompido na manhã de ontem, em Novo Hamburgo, RS. Cerca de 115 mil moradores de oito bairros ficaram sem distribuição entre 6h e 12h, quando o serviço começou a ser normalizado.

A reportagem é de Álisson Coelho e publicada pelo jornal Zero Hora, 20-12-2011.

Algumas residências só voltaram a ter água no final da tarde, e a situação deve se repetir. Os detritos vinham se acumulando na cidade durante os vários dias sem chuva. Borrachas de pneus e resíduos de óleo no asfalto, lixo jogado nas ruas, tudo foi arrastado pelas pancadas de chuva do final da última semana.

– É uma chuva que mais atrapalha do que ajuda. Assim como melhora o nível do rio e diminui o calor, essa chuva em forma de pancadas lava a cidade. O acúmulo de sujeira vai direto para o rio – explica o diretor-geral da Companhia Municipal de Saneamento (Comusa), Mozar Artur Dietrich.

Com isso, crescem as dificuldades em captar, e principalmente, em tratar a água coletada do Sinos. Além dos detritos sólidos, o rio traz poluentes que tornam mais custoso e demorado o tratamento. A alternativa para manter a qualidade da água distribuída é fazer paradas no processo de captação. A Comusa realizou uma interrupção no último sábado e outras duas no domingo, fazendo baixar drasticamente o nível dos reservatórios e ocasionando a interrupção no abastecimento ontem.

– Mais sujeira significa a utilização de mais produtos no momento de tratar a água. Estamos utilizando uma alta carga de floculantes e de dióxido de cloro para manter a água no padrões para consumo – diz Dietrich.

Durante todo o dia consumidores de Novo Hamburgo reclamaram da coloração da água que vinha das torneiras. A água escurecida causou preocupação na residências que seguiam com a distribuição normal, e foi um reflexo do problema no Sinos.

Uma norma do Ministério da Saúde classifica entre 0 e 15 o nível de coloração da água potável. Quanto mais próximo de 0, mais límpida. Segundo a Comusa, em Novo Hamburgo o nível normal da água distribuída fica no máximo no grau 2. Ontem o nível chegou a 15, no limite para consumo.

– Causou muita estranheza a cor escura, já que normalmente a água distribuída pela Comusa é praticamente sem cor. No entanto, garantimos que é uma questão estética, a água é potável – explica o diretor-geral da empresa.

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