Empresas desenvolvem tecnologias para espiar cidadãos, revelam documentos divulgados pelo Wikileaks

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03 Dezembro 2011

O fundador do WikileaksJulian Assange, lançou nesta quinta-feira o novo projeto de sua página na internet com a publicação de centenas de documentos que, segundo ele, revelam uma indústria mundial que oferece aos governos ferramentas para espiar os seus cidadãos.

A reportagem está publicada no jornal mexicano La Jornada, 01-12-2011. A tradução é do Cepat.

Os documentos expõem as atividades de cerca de 160 companhias em 25 países que desenvolvem tecnologias para rastrear e vigiar pessoas através de seus telefones celulares, contas de correio eletrônico e histórico de buscas na internet.

"Hoje publicamos mais de 287 arquivos que documentam a realidade da indústria de vigilância de massas internacional, uma indústria que agora vende equipamentos tanto a ditadores como a democracias para vigiar populações inteiras", anunciou Assange em uma entrevista coletiva em Londres.

O australiano disse que nos últimos 10 anos essa indústria deixou de ser secreta, quando abastecia principalmente as agências de inteligência governamentais, para se converter em um grande negócio internacional.

Assange está há um ano no Reino Unido à espera de uma decisão sobre a sua extradição à Suécia, país que o reclama para ser interrogado sobre quatro supostos crimes sexuais.

Os documentos postados na página http://wikileaks.org/the-spyfiles.html incluem manuais de produtos e vigilância vendidos a regimes árabes repressivos.

São procedentes de escritórios saqueados durante as recentes revoltas em países como o Egito e a Líbia, e de investigações do Wikileaks e vários colaboradores.

"Os sistemas revelados nestes documentos mostram exatamente o tipo de sistema que aStasi [polícia secreta de inteligência da República Democrática Alemã] teria sonhado construir", disse Jacob Appelbaum, ex-porta-voz do Wikileaks e especialista em informática da Universidade de Washington.

"Estes sistemas foram vendidos por companhia ocidentais para países como Síria, Líbia, Tunísia e Egito. São construídos para perseguir pessoas e para assassinar", declarou.

Especialistas que colaboraram na divulgação advertiram que a indústria carece totalmente de regulação, e urgiram os governos a introduzir novas leis que regulem as exportações deste tipo de tecnologia.

"Os governos ocidentais não podem ficar parados enquanto esta tecnologia continua sendo vendida", disse Eric King, da Privacy International.

A divulgação dos "arquivos espiões" marca a reativação do Wikileaks, que anunciou em outubro a suspensão da divulgação de documentos secretos por falta de fundos devido ao bloqueio financeiro imposto desde o ano passado por várias multinacionais norte-americanas.