Contribuições dos indígenas e das mulheres para renovar a teologia

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16 Julho 2011

As novas contribuições da teologia provenientes dos povos originários, mulheres e outros setores excluídos que hoje têm maior protagonismo nos países do Cone Sul e Brasil, foram refletidos e debatidos durante as Jornadas Teológicas que concluíram na sexta-feira, dia 15, na Universidade Católica Silva Henrique, em Santiago do Chile.

A reportagem é de Orlando Milesi e publicada por Adital, 15-07-2011.

Assim indicou o sacerdote mexicano Eleazar López, indígena zapoteca; a teóloga laica feminista Ana Maria Tepedino, professora da Universidade do Rio de Janeiro, Brasil, licenciada em administração de empresas e professora em diversas universidades do país.

López sustenta que o surgimento da teologia da libertação marcou o início de uma descolonização da Igreja porque apontou que "as igrejas sejam realmente nossas, sejam igrejas de cá e não transportadas da Europa, que surgem de cada cultura”.

Destacou que este feito significa a incorporação da diversidade humana e recordou a proposta zapatista de "um mundo onde caibam todos e todas com dignidade, onde entram muitos mundos”.

López, membro do Centro Nacional propagador mineiro do México e um dos principais teóricos da teologia indígena na América Latina, destacou a instalação e vigência de um diálogo com as autoridades vaticanas e indicou que, seu discernimento, deve apontar para que os povos originário não sejam forçados a se separem de suas crenças básicas.

"Não devem excluir o que somos para ser o que outros querem que sejamos, devemos conservar nossa dignidade fundamental humana e também a dignidade da diversidade cultural para juntos construirmos um mundo de justiça e de paz. Afinal de contas, é o reino de Deus”, sustenta.

Tepedino, que participou na mesa de trabalho sobre "mulheres, gênero e teologia”, insistiu na necessidade de incorporar a realidade feminina ao trabalho teológico a fim de contribuir para evitar o patriarcado e a persistente subjugação da mulher na sociedade.

"Devemos encontrar meios para ajudar as mulheres a separar-se deste sistema que as invisibilizam, violentam e marginalizam, para que nós possamos fazer os traços, os desenhos de nosso próprio rosto, de nossa própria personalidade, de nossas identidades. Esse é nosso sonho”, expôs.

Segundo Tepedino, uma mulher ser feminista não significa necessariamente que suas filhas ou gerações a seguem, mantenham uma postura em prol da dignidade da mulher.

"Isto significa que o processo é muito doloroso porque vemos que a cada vez há que começar novamente. Por isso não se avança tanto, não se consegue caminhar até um certo ponto porque a cada vez se deve começar de novo”, disse, referindo-se à extensão dos comportamentos e pensamentos patriarcais.

Jung Mo Sung defendeu recolocar o conceito de teologia da libertação pelo de "cristianismo da libertação”, a fim de incluir a todos que têm princípios ou inspiração cristã, ainda que não pertençam ou se reconheçam na Igreja Católica. Mo Sung chamou a um diálogo amplo que inclua os setores diversos a fim de avançar na libertação da dependência dos povos.

O especialista destacou a necessidade de que a reflexão teológica esteja inspirada nos problemas complexos e nas vivências traumáticas que os povos vivem e, como exemplo, disse que a crise financeira que afeta a Igreja dos Estados Unidos com os escândalos de pedofilia, pode ser "o detonante para que volte a trabalhar com o povo e se acerque à palavra de Deus”.

No plano econômico, o teólogo afirmou que "é evidente que há uma crise nos Estados Unidos que põe em interrogação sua hegemonia unipolar”, mas disse que ainda não se pode falar de globalização multipolar porque "atualmente essa é uma aspiração”.

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