Campanha de assinaturas contra a remoção do bispo

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30 Mai 2011

A associação norte-americana Just Church lançou uma campanha de solidariedade com o destituído bispo de Toowoomba (Austrália), dom William Morris, obrigado a se afastar antecipadamente (está com 67 anos) por pedir, em uma Carta Pastoral a eventual ordenação de homens casados e de mulheres, para poder atender adequadamente sua enorme diocese de quase 500.000 quilômetros quadrados. A campanha, que espera recolher 50.000 assinaturas, consiste na coleta de assinaturas para pedir ao Papa a readmissão do prelado australiano. Entre os que assinam a carta está o teólogo Leonard Swidler, que foi companheiro de Joseph Ratzinger na Universidade de Tübingen.

A reportagem está publicada no sítio Religión Digital, 30-05-2011. A tradução é do Cepat.

Este é o processo seguido na remoção do bispo de Toowoomba, Queensland (Austrália). William Morris foi ordenado bispo de Toowoomba no dia 10 de fevereiro de 1993. Durante 18 anos dirigiu sua diocese, sempre em sintonia profunda com o espírito do Concílio Vaticano II.

Entretanto, uma pequena minoria de seus fiéis não gostava de algumas de suas decisões e ações. Essa minoria o denunciou a diversas congregações vaticanas, centrando-se no fato de que fazia vistas grossas em relação à absolvição geral, uma prática imprescindível, na sua opinião, para poder atender uma enorme diocese com muito poucos sacerdotes.

No Advento de 2006, o bispo Morris escreveu uma Carta Pastoral, expondo a grave falta de clero para poder pastorear adequadamente as 35 paróquias de uma diocese de 487.456 quilômetros quadrados, como é a sua. Na carta e com suma cautela, refere-se aos debates que estão acontecendo em todo o mundo sobre a eventual possibilidade de ordenar homens e mulheres, assim como já vem se fazendo em outras tradições cristãs.

Pouco tempo depois de tornar pública a Carta Pastoral de 2006, os cardeais Re, Levada e Arinze chamaram-no a Roma no mês de fevereiro de 2007. Dom Morris sugere o mês de maio para a reunião, dado que por razões pastorais não poderia deixar a diocese antes.

No mês de abril de 2007, o arcebispo Charles Chaput foi enviado como Visitador Apostólico para inspecionar e prestar informações sobre a diocese. Seu relatório, que nunca chegou a dom Morris, foi entregue ao Vaticano.

Exceto três sacerdotes, todos os demais presbíteros da diocese, assim como a totalidade dos agentes de pastoral, enviaram uma carta de apoio ao seu pastor à Congregação dos Bispos.

Quando o bispo Morris chegou a Roma, no mês de maio de 2007, os três cardeais que o haviam chamado, não quiseram recebê-lo. Mas, no mês de setembro de 2007, recebeu uma nota sem assinatura da Congregação dos Bispos, com data de 28 de junho de 2007, exigindo sua imediata renúncia.

Diante da recusa de dom Morris em apresentar sua renúncia, no dia 23 de outubro de 2008, o cardeal Re o ameaçou: ou renunciava ou seria removido de sua diocese. Dom Morris respondeu que não podia renunciar em consciência e pediu uma audiência com o Papa.

Bento XVI o recebeu no dia 4 de junho de 2009, após o apoio, como em outras ocasiões, de dom Wilson, Presidente da Conferência dos Bispos da Austrália. O Papa repetiu as demandas dos três cardeais e sugeriu ao bispo Morris procurar algum cargo de âmbito nacional na Igreja da Austrália.

Em junho de 2009, o cardeal Re exigiu que Dom Morris apresentasse sua renúncia como havia prometido ao Papa, promessa que o prelado nunca havia feito.

No dia 22 de dezembro de 2009, o Papa pediu sua renúncia sem apelação, expressando sua preocupação com a postura de dom Morris sobre a ordenação de mulheres e sobre o reconhecimento da ordenação dos anglicanos.

O bispo Morris respondeu ao Papa, propondo-lhe que renunciaria (tem 67 anos) no mês de maio de 2011, alegando que necessitava de tempo para resolver adequadamente um caso de abusos sexuais.

O Vaticano responde que o Papa aceita sua proposta, mas no dia 21 de fevereiro de 2011 Roma nomeia um administrador apostólico, o bispo Brian Finnegan, para substituí-lo. Dom Morris anunciou seu afastamento no dia 2 de maio de 2011, diante do silêncio geral dos bispos australianos.

Caso queira solidarizar-se com dom Morris, pode assinar a carta a Bento XVI aqui.