Bolsa Família escapa de cortes e subirá até 45%

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01 Março 2011

No momento em que o governo se esforça para cortar R$ 50 bilhões para auxiliar no combate à inflação, a presidente Dilma Rousseff anunciou que o programa Bolsa Família terá aumento real que pode chegar a 45,5% em alguns casos.

A reportagem é de Matheus Magenta e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 02-03-2011.

O maior reajuste será dado a famílias com crianças e adolescentes de até 15 anos. O aumento médio do benefício será de 19,8%.

O governo tinha reservado R$ 1 bilhão no Orçamento para reajustar o valor pago pelo programa, mas terá de desembolsar R$ 2,1 bilhões.

A diferença virá de remanejamentos no Ministério do Desenvolvimento Social e de R$ 755 milhões de uma reserva de contingência.

Segundo o Ministério do Planejamento, o aumento do Bolsa Família "não compromete a consolidação fiscal e a redução de despesas previstas para 2011", referindo-se ao bloqueio de R$ 50 bi.

No ano passado, o governo federal gastou R$ 13,4 bilhões com o programa de transferência de renda. Atualmente, 12,9 milhões de famílias recebem o benefício.

O anúncio do reajuste foi feito por Dilma em visita a Irecê (a 478 km de Salvador), onde participou de eventos do governo federal em comemoração ao mês da mulher.

Em discurso para 2.000 pessoas, Dilma disse que não houve reajuste no ano passado -o último havia sido concedido em 2009- porque "2010 era ano eleitoral".

"E a gente não fez política com o Bolsa Família em época de eleição", afirmou. De acordo com a presidente, esse aumento é a primeira parte do programa de erradicação da miséria, prioridade na gestão dela, mas ainda em fase de elaboração.

AUMENTO REAL

O benefício terá, a partir de abril, aumento real de 8,7% sobre a inflação registrada desde setembro de 2009 (último reajuste).

Em comparação, o salário mínimo, que foi reajustado de R$ 510 para R$ 545, não teve ganho real substancial.

A ministra Tereza Campello (Desenvolvimento Social) diz que não se deve comparar os dois aumentos porque são políticas "diferenciadas".

Com o reajuste, o benefício médio pago passará de R$ 96 para R$ 115. O menor valor pago pelo programa passa de R$ 22 para R$ 32 e o maior, de R$ 200 para R$ 242.

Hoje, uma família com renda mensal de até R$ 70 e dois filhos de até 15 anos recebe R$ 112. Com o aumento, passará a receber R$ 134 (aumento de 19,6%).

Pelas regras do programa, uma família só pode receber, no máximo, o benefício variável referente a cinco filhos, sendo três com idades até 15 anos e dois adolescentes (entre 16 e 17 anos).

Mais tarde, em Salvador, a presidente afirmou que seu governo não terá "contemplação com a inflação".
Apesar de os cortes afetarem programas sociais, como o Minha Casa, Minha Vida, Dilma afirmou que o país não irá "parar de investir".

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