Missão de Sucumbíos faz Assembleia sem os Arautos

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09 Fevereiro 2011

Reunidas em Assembleia, lideranças do Vicariato de São Miguel de Sucumbíos, no Equador, pedem a saída do novo administrador apostólico, Padre Rafael Ibarguren Schindler, da Congregação Arautos do Evangelho, assim como a nomeação de um novo bispo para o Vicariato de Sucumbíos.

O texto traduzido está publicado no sítio da Província Brasileira São José da Ordem dos Carmelitas Descalços.

Eis o texto.

Lago Agrio, 7 de janeiro de 2011.

Os representantes das Comunidades Eclesiais de Base, Ministérios Reconhecidos, Agentes de Pastoral, Missionárias e Missionários, Clero Diocesano, serviços pastorais, representantes de Movimentos da Igreja de São Miguel de Sucumbíos (ISAMIS) e Organizações Populares da Província, resolveram por maioria de votos (79%), pedir a saída do novo administrador apostólico do Vicariato de São Miguel de Sucumbíos, Padre Rafael Ibarguren Schindler, e da Congregação Arautos do Evangelho – Cavaleiros da Virgem – à qual pertence, assim como a nomeação de um novo bispo para o Vicariato de Sucumbíos.

Estas decisões foram adotadas no dia de hoje durante a Assembleia Diocesana extraordinária da ISAMIS, que contou com a participação de 238 pessoas, das quais 110 tiveram voz e voto, de acordo com os regulamentos da assembléia e os estatutos que regem o Vicariato. A assembleia não contou com a presença do Padre Rafael, nem de nenhum dos membros de sua Congregação, apesar de ter sido acordada e confirmada sua participação com antecedência. Diante do desconhecimento absoluto de seu paradeiro e das razões do abandono de sua responsabilidade pastoral, resolveu-se que o Padre Edgar Pinos assumisse a direção da assembleia, de acordo com o procedimento da atuação nestas situações.

As causas para tal resolução foram debatidas e analisadas no seio da Assembleia: os constantes descumprimentos, a ausência permanente nos espaços legais e legitimamente criados para o encontro e o diálogo com os diversos setores da Igreja, a falta de informação e de direção pastoral, os conflitos vividos na base da Igreja, derivados da atuação dos Arautos do Evangelho, e a falta de transparência e legalidade na formação do Conselho Jurídico e Econômico do Vicariato, são alguns dos argumentos expressos na Assembleia para declarar a incapacidade para o exercício do cargo de administrador diocesano do Padre Rafael. Outra das resoluções adotadas é solicitar das autoridades competentes que Monsenhor Jesús Esteban Sádaba, bispo do vizinho Vicariato de Aguarico, Província de Orellana, assuma a direção deste vicariato de forma transitória, até a nomeação definitiva de um novo Bispo.

A comunicação desta situação e das resoluções adotadas às autoridades eclesiais equatorianas e vaticanas, assim como às autoridades do governo central equatoriano e dos ministérios da Justiça, Direitos Humanos e Cultos, de Relações Exteriores e Assembleia Nacional, foi aprovada pela Assembleia por indiscutível maioria.

Deve-se ressaltar que apesar das tensões, a Assembleia se desenvolveu em clima democrático, participativo e respeitoso que é habitual na ISAMIS, sem que nada justifique a presença da polícia nacional, solicitada expressamente pelo Padre Rafael Ibarguren para "prevenir possíveis desmandos, como deram a conhecer os policiais presentes, através da leitura do ofício enviado e firmado pelo administrador apostólico ao Governo de Sucumbíos. A Assembleia em seu conjunto não dava crédito ao que estava vivendo, algo totalmente fora do comum e nunca antes visto nos quarenta anos da direção anterior.

Uma vez mais a atitude agressiva e atentatória dos Arautos do Evangelho, e o total desconhecimento do povo e da realidade de Sucumbíos, fez-se evidente, provocando nos participantes o sentimento de ofensa e maltrato por parte de um administrador ausente que não é capaz de implicar-se nem de identificar-se com o projeto de igreja local vigente.

"Nos veem como delinquentes"; "Por que se sentem tão ameaçados?"; "Não se importam em nada conosco"; "Não dão a cara para resolver os problemas"; "Assim tratam os amigos?", são algumas das expressões ouvidas durante a assembleia, e que denotam o sentimento da maioria dos presentes, e a falta de confiança necessária para prosseguir com um trabalho conjunto. Como podem trabalhar um administrador apostólico e seus irmãos de congregação em um vicariato onde têm medo das pessoas e as evitam?

Por último a Assembleia Diocesana se declara em vigília permanente até que estas demandas sejam atendidas, e faz um chamado à solidariedade ativa e ao compromisso de grupos eclesiais do país e do mundo inteiro, organizações sociais, instituições públicas e privadas, autoridades locais, provinciais e nacionais, solicitando que se unam com suas ações a esta campanha por restabelecer e revitalizar o espírito fraterno e comunitário que sempre caracterizou a ISAMIS.

Maritza Flores
Secretaria da Assembleia

Amparo Peñaherrera S.
Comissão de Comunicação