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13 Janeiro 2011

No próximo dia 8 de fevereiro, o Fórum Mundial de Teologia e Libertação - FMTL irá celebrar, dentro do Fórum Social Mundial - FSM, em Dakar, no Senegal, uma oficina sobre "Religiões e Paz: A visão/teologia necessária para tornar possível uma Aliança de Civilizações e de Religiões para o bem comum da humanidade e a vida no planeta". A organização da oficina é da Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo - ASETT/EATWOT.

Para facilitar a participação e o debate, a EATWOT disponibilizou as conferências resumidas de vários especialistas que serão apresentadas sobre a temática proposta na oficina do ano que vem.

O sítio do IHU, em suas Notícias do Dia, está disponibilizando as principais conferências a respeito da temática. Veja abaixo, em "Para ler mais", a lista de textos já publicados.

Além disso, também foi publicada uma proposta de Agenda teológica 2011-2013, para ser debatida no seminário do FMTL.

Faustino Teixeira, parceiro do IHU, pós-doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, de Roma, e professor-associado da Universidade Federal de Juiz de Fora - PPCIR-UFJF, em Minas Gerais, analisa no texto abaixo o pluralismo religioso como "um valor em si mesmo", como "uma condição essencial para o verdadeiro diálogo inter-religioso". A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Pluralismo religioso, dom de Deus

Princípios básicos para uma convivência pluralista entre as religiões


1.
O pluralismo religioso é um dom de Deus e revela as riquezas singulares de sua sabedoria infinita e multiforme.

2. Embora expressem uma busca às cegas de Deus, as religiões são acolhidas em si mesmas por Deus na dinâmica de sua infinita abertura e misericórdia. Não é só que os sedentos buscam água, mas sim que a água busca os sedentos.

3. As religiões são "fragmentos" em meio a uma sinfonia cujo horizonte leva a marca do inacabamento. Não é possível que uma tradição pretenda estar somente ela em posse da verdade.

4. A verdade que anima o caminhar das religiões não é algo que possa ser apropriado como uma garantia assegurada, mas sim um mistério sempre aberto, pelo qual as religiões devem deixar-se possuir.

5. As religiões têm limites e ambiguidades, mas estão igualmente assistidas pela maravilhosa liberdade do Espírito, que conhece caminhos misteriosos e inesperados.

6. Cada religião é portadora de um enigma irredutível e irrevogável, não podendo ser entendida como um marco de espera que encontra sua continuidade lógica e seu cumprimento pleno em outra tradição religiosa. A riqueza das religiões não é algo que se encontra fora delas, como se seu valor consistisse em sua capacidade de se abrir positivamente àquilo que ignoram.

7. Desconhecer esse enigma ou mistério que envolve cada tradição religiosa é não honrar sua especificidade única e desprezar a riqueza insuperável da alteridade.

8. Sustentar uma assimetria básica entre as religiões – a chamada assimetria de princípio – vai contra a dinâmica misteriosa dos dons de um Deus que abraça a diversidade.

9. A experiência de fé em um Deus criador, presente e atuante em todos os povos do mundo, implica em reconhecer sua presença viva e acolhedora entre as diversas tradições religiosas.

10. Deus atua na história por meio de mediações distintas e diversificadas. Não há razão plausível para concentrar a mediação fundamental da presença salvífica de Deus em uma única instância ou "porta", mas devemos reconhecer outras formas dessa mediação, que podem ser uma pessoa, mas também as Escrituras, um acontecimento histórico, um ensinamento ou uma práxis.

11. Aceitar o pluralismo religioso como um valor em si mesmo – o chamado pluralismo de princípio – é uma condição essencial para o verdadeiro diálogo inter-religioso. Não é possível dialogar verdadeiramente com o outro desconhecendo a riqueza e o valor irredutível de sua dignidade religiosa.

12. Limitar-se a uma única tradição religiosa, excluindo-se da provocação criativa do diálogo com a alteridade, leva à perda das riquezas preciosas que a dinâmica reveladora de Deus irradia, que atua na história sempre e em todo o lugar.

13. O reconhecimento da presença do Mistério Maior nos outros confere uma nova perspectiva à identidade, possibilitando a abertura a novas e enriquecedoras dimensões da própria fé.

14. Longe de debilitar a fé, o diálogo verdadeiro abre horizontes novos e fundamentais para a sua afirmação em um mundo plural.

15. Acolher o pluralismo como um valor em si mesmo não só implica no diálogo entre as religiões, mas também na abertura e na complementaridade a outras formas de opções espirituais, seja religiosas, arreligiosas ou pós-religiosas.

Faustino Teixeira
Juíz de Fora, Brasil

 

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