Iniciativa privada bancou apenas 7% dos estádios da Copa

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

07 Janeiro 2015

Os números oficiais do governo federal mostram que a iniciativa privada arcou apenas com 7,2% do custo dos estádios construídos e reformados para a Copa de 2014.

A versão final da matriz de responsabilidade do torneio aponta investimento majoritário do poder público nas 12 arenas que receberam as 64 partidas da competição. 

A reportagem é de Marcel Rizzo e Paulo Passos, publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 07-01-2015.


Os números desmentem a tese defendida por Ricardo Teixeira, então presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), quando o Brasil foi escolhido para receber o Mundial, em 2007.

Relatório de comissão da Fifa na época, baseado em informações de dirigentes de futebol e de representantes do poder público, dizia que "o modelo de construção e reforma dos estádios daria prioridade ao financiamento privado por meio de concessões de largo prazo e, só eventualmente, usaria as PPPs".

Ao todo, foram gastos R$ 8,384 bilhões em estádios. A maior parte desse investimento saiu dos cofres de prefeituras, governos estaduais e do Distrito Federal.

Somando as 12 arenas, o poder público bancou 47% (R$ 3,956 bilhões) do total gasto em obras nos locais que receberam jogos do Mundial no ano passado.

O restante dos recursos veio de financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Uma linha de crédito, criada especialmente para a Copa, garantiu R$ 3,816 bilhões, ou 46% do valor total gasto na construção dos estádios que foram usados no Mundial. A iniciativa privada gastou R$ 611,6 milhões.

Em 2007, quando o Brasil foi escolhido pela Fifa como sede da Copa do Mundo de 2014, governo federal e CBF, que apresentaram a candidatura do país para sediar o evento, diziam que as arenas seriam construídas utilizando 100% de recursos da iniciativa privada.

"A Copa do Mundo será melhor quanto menos dinheiro público for investido. O investimento maior terá de vir da iniciativa privada", disse Ricardo Teixeira, em nota divulgada em maio de 2009.

CONTA MAIS CARA

A matriz de responsabilidade da Copa de 2014 mostra um aumento real de 20% no custo dos estádios que foram construídos ou amplamente reformados para o Mundial, na comparação com a primeira versão do projeto, divulgada em janeiro de 2010.

Cinco anos atrás, eram previstos gastos de R$ 6,955 bilhões, levando em conta no cálculo a inflação do período.

"As novas arenas multiuso, que foram construídas ou reformadas para a Copa, tiveram custos alinhados com a média mundial para esse tipo de construção e são parte do legado esportivo deixado pelo megaevento", afirmou o Ministério do Esporte.

Bancado 100% com verba pública, do governo do Distrito Federal, o Mané Garrincha, em Brasília, foi o estádio mais caro da Copa do Mundo de 2014. Custou R$ 1,4 bilhão, 44% a mais do que a previsão inicial, também descontada a inflação no período.

"Boa parte desse aumento se deve ao estádio de Brasília. O primeiro valor anunciado não continha quanto ia custar o gramado, a cobertura. Acho que para não causar um impacto maior sobre valor, parte do projeto estrutural foi acrescentado depois," avalia Gil Castello Branco, da ONG Contas Abertas.