"A abolição do celibato obrigatório poderia ajudar." Entrevista com Wunibald Müller

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17 Janeiro 2017

De acordo com o teólogo e psicoterapeuta Wunibald Müller, os padres se sentem cada vez mais sozinhos. Por isso, é justo que eles possam viver em uma comunidade, se se quiser ajudá-los.

A reportagem é de Christian Wölfel, publicada no sítio Domradio.de, 15-01-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Em uma carta aberta, alguns padres da diocese de Colônia, por ocasião do 50º aniversário da sua ordenação presbiteral, põem em discussão a obrigatoriedade do celibato para o clero católico. Um dos motivos citados por eles é a solidão. O teólogo e psicoterapeuta Wunibald Müller se ocupou por 25 anos de padres em crise na Recollectio-Haus, em Münsterschwarzach. Nesta entrevista, ele explica como os padres vivem a sua solidão e as suas consequências.

Eis a entrevista.

Que peso tem a solidão para os presbíteros católicos?

Trata-se de um grande problema, em geral, para os colaboradores eclesiais, mas, particularmente, para os padres. Isso tem a ver com o celibato. Não há ninguém que os espera quando eles voltam para casa – nenhuma pessoa significativa que realmente os conheça. E alguns padres interpretaram o celibato de um modo tão errado a ponto de considerar inadmissível qualquer relação profunda e íntima com outras pessoas. E, depois, essas relações faltam.

Que consequências a solidão tem sobre as pessoas?

É preciso distinguir. Existe a solidão que uma pessoa escolhe, que pode ser espiritualmente significativa. Mas há também a experiência de quando eu me sinto realmente isolado, abandonado. A minha necessidade de estar a dois não se realiza. Esse vazio, por parte de alguns padres, é substituído por um excesso de comidas e bebidas. Outra compensação é a do sexo virtual na internet, que, nos últimos anos, aumentou entre padres e colaboradores eclesiais.

Sem um parceiro, não estamos automaticamente sozinhos. Para os padres, há talvez uma forma especial de solidão?

Sim, existe, porque um padre, com o seu papel específico a desempenhar, mantém quase sempre para si as suas necessidades. A capacidade de cuidar de uma relação normal com as pessoas, muitas vezes, é excluída. Em vez disso, seria muito importante também para poder expressar, às vezes, sentimentos como raiva ou irritação.

Mas agora o celibato é uma condição obrigatória para o presbiterado.

Se esperamos que alguém viva desse modo, seria preciso prepará-lo – para além da preparação espiritual ou científica. Na carta aberta dos padres de Colônia, também se expressa claramente que, envelhecendo, eles sentem mais a falta de uma pessoa significativa. Nos anos da juventude, ela pode até ser substituída pela atividade. No entanto, em certo momento da vida, o padre se dá conta de estar sozinho. A preparação para essa condição, nos últimos anos, foi esquecida, omitida, porque, muitas vezes, considerou-se a vida celibatária espiritualmente muito elevada.

Então, um caminho seria o de revogar o celibato obrigatório?

A abolição do celibato obrigatório poderia ajudar. Eu falo assim tendo visto a situação de necessidade dos padres por nada menos do que 25 anos. Seria bom se pudéssemos considerar mais precisamente que carisma uma pessoa tem e decidir de forma correspondente. Essa pessoa tem o carisma para uma vida célibe ou é melhor que ela se case? Muitos formadores de padres me disseram ter conhecido uma fileira de futuros padres que se tornariam também bons maridos e bons pais. Na Igreja Ortodoxa, um matrimônio antes da ordenação é possível. Este poderia ser um caminho e poderia desdramatizar muito a situação.

A casa paroquial católica, por muito tempo, não foi um lugar para uma pessoa sozinha.

Antigamente, certamente era mais fácil, quando havia capelães, às vezes estava presente a mãe ou a irmã – ou alguém dos familiares. E havia uma maior proximidade com os membros da paróquia: um padre era mais apoiado. O celibato também era apreciado pela comunidade. Mas tudo isso foi superado. A solidão tornou-se mais forte. Por isso, é justo que os padres possam viver em uma comunidade, se quisermos ajudá-los. Os bispos deveriam se encarregar mais dos seus padres sobre a questão do celibato e insistir mais em Roma para que os padres sejam deixados livres para escolher a sua forma de vida.

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