Commodities definem magnitude do saldo comercial brasileiro no ano

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15 Março 2012

As commodities ditam cada vez mais os rumos da balança comercial brasileira, podendo garantir neste ano um superávit ainda razoável ou provocar um déficit expressivo, a depender do comportamento dos seus preços, mostra um estudo do Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial (Iedi). No cenário mais otimista, em que as cotações médias ficariam no nível de dezembro do ano passado, o Brasil teria um superávit de US$ 23,7 bilhões, mesmo assim abaixo dos US$ 29,8 bilhões de 2011.

A reportagem é de Sergio Lamucci e publicada pelo jornal Valor, 15-03-2012.

No adverso, haveria um rombo na balança comercial de US$ 41,3 bilhões, uma hipótese que contempla uma deterioração acentuada da crise europeia, com as commodities voltando para os patamares de janeiro de 2009, o ponto mais baixo atingido depois da quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008. Uma eventual desaceleração mais forte da China, consumidora voraz desses produtos, também pode afetar os preços.



Para o consultor do Iedi, Julio Gomes de Almeida, as simulações deixam claro que a balança comercial está hoje refém do comportamento das commodities "e, por tabela, da China". Se o cenário mais negativo se concretizar, as contas externas brasileiras podem ter uma piora significativa. O saldo comercial é o item que ajuda a impedir um déficit mais forte no resultado das transações correntes - a balança de serviços e rendas, que inclui remessas de lucros e dividendos, viagens e gastos com juros, é estruturalmente deficitária. O Banco Central estima um déficit em conta corrente de US$ 65 bilhões para este ano, mas contando com um superávit comercial de US$ 23 bilhões.

Visto de hoje, o risco desse cenário negativo diminuiu bastante, pondera Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. A atuação do Banco Central Europeu (BCE), emprestando recursos a juros baixos para os bancos da zona do euro, reduziu a possibilidade de uma ruptura na região, embora não a tenha eliminado, ressalta ele.

O cenário central do estudo do Iedi adota como premissas básicas as projeções do Fundo Monetário Internacional para os preços de commodities em 2012, que levam em conta um crescimento da economia global de 3,3% neste ano - em 2011, a expansão foi de 3,8%. Para o FMI, as commodities não energéticas devem ficar 14% abaixo do nível do ano passado, enquanto as energéticas (entre as quais o petróleo) vão recuar 4,9%. Se o cenário do FMI prevalecer, as exportações brasileiras de commodities devem recuar 10,8% em relação ao ano passado, levando o saldo comercial a encolher para US$ 13,2 bilhões.

O estudo adota hipóteses conservadoras, para ressaltar o efeito das oscilações dos preços de commodities, diz Almeida. O Iedi considera que os volumes exportados de commodities não serão alterados. Também foram mantidos constantes o valor das importações e o das exportações de não commodities.

Para Almeida, o mais provável é que o saldo comercial neste ano fique entre o cenário do FMI e o cenário mais favorável, no qual as exportações de commodities ficariam apenas 4% menores do que no passado. Nos últimos meses, houve uma redução da aversão ao risco e uma expansão da liquidez, graças à atuação do BCE, o que pode contribuir para que o quadro mais otimista se realize.

Também pode ajudar um eventual desempenho melhor que o esperado das economias emergentes, assim como de uma eventual nova rodada de afrouxamento quantitativo (uma política monetária ultraexpansionista, de compra de títulos) pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Para Almeida, o fator mais decisivo para o Brasil é o comportamento da economia chinesa. Ainda não está claro o que vai ocorrer com o ritmo da atividade econômica na China, mas o economista do Iedi observa que o governo do país asiático anunciou no começo do mês que trabalha com uma meta de crescimento de 7,5% para este ano, razoavelmente inferior aos 9,2% de 2011. A previsão do FMI aponta para uma expansão de 8,2%.

Em 2011, as exportações de commodities responderam por 59,6% das vendas externas do Brasil, nas contas do Iedi. No ano anterior, a fatia dos produtos básicos era de 56,7%. Para Almeida, essa participação tende a aumentar ainda mais neste ano, desde que não se materialize o cenário mais negativo.

Ele lembra que as exportações brasileiras de manufaturados vão mal, afetadas pelo baixo crescimento global e pela dificuldade de competir com produtos de países como a China, num quadro de câmbio valorizado.

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