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02 Abril 2011

A poucos meses de deixar o cargo, o presidente do Peru, Alan García, baixou decretos para facilitar investimento privado em 33 grandes projetos de infraestrutura, num "fast track" para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do país.

A reportagem é de Flávia Marreiro e Patrícia Campos Mello e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 03-04-2011.

Grandes empresas brasileiras, algumas delas as maiores doadoras da campanha eleitoral do Peru, estão entre as grandes interessadas nesse "PAC peruano".

No próximo domingo, ocorre o primeiro turno da eleição presidencial no país.

Empresas como a Odebrecht já atuam ou têm interesses nas obras do pacote de "necessidade nacional e de execução prioritária", cujo custo é estimado pelo governo em US$ 9 bilhões.

O PAC peruano foi alterado para incluir o item "energia das novas centrais hidrelétricas". O ponto é estratégico para o Brasil, que assinou pacto em 2010 para construir ao menos seis usinas de uso compartilhado na selva peruana, investimento que pode chegar a US$ 16 bilhões.

Ao menos três dos cinco candidatos com chances ir ao segundo turno prometeram revogar o "fast track" (via rápida) de García: Alejandro Toledo (centro-direita), Keiko Fujimori (direita) e Ollanta Humala (esquerda).

"O governo está tratando de hipotecar o país", afirma Daniel Abugattás, um dos porta-vozes da campanha de Ollanta Humala.

A pedido de um grupo de congressistas, o Tribunal Constitucional está avaliando se a via rápida de García viola a Constituição.

O Brasil entrou em cheio na eleição quando as construtoras brasileiras Camargo Correa e Queiroz Galvão apareceram como as maiores doadoras, até agora, da campanha do ex-presidente e candidato Alejandro Toledo.

As somas não são altas para os padrões brasileiros (menos de US$ 100 mil no primeiro caso e pouco mais de US$ 200 mil no segundo), mas foram suficientes para desatar uma discussão sobre conflitos de interesses com o "novo imperialismo" do sul.

NEGÓCIOS DO BRASIL

As hidrelétricas no PAC de García são só uma fatia dos negócios brasileiros no país.

Segundo estimativas compiladas entre as empresas, as múltis brasileiras têm investimentos de US$ 3,5 bilhões a US$ 5 bilhões no Peru, mas esse número deve triplicar com outras obras públicas no país. Os investimentos se concentram em mineração, construção e energia.

"De 2005 para cá, o ambiente político, econômico e de negócios do Peru mudou muito. Fechamos contratos importantes e passamos a atuar como concessionária das obras executadas", diz Breno Saldanha, diretor da Andrade Gutierrez no Peru.

"Hoje, o Peru tem a maior taxa de crescimento da região, instituições fortes e muita disposição para atrair investimentos", completa.

A Odebrecht, por exemplo, está há 31 anos no Peru. A empresa já fez 54 obras no país e hoje participa de projetos que representam investimentos de US$ 4,4 bilhões - entre eles, a rodovia interoceânica, que conectará o Brasil à costa do Pacífico.

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