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11 Março 2019

Quando fez sua primeira tentativa de chegar à Casa Branca, em abril de 2015, Bernie Sanders era uma extravagância. Um senador independente, autodeclarado socialista em um país que associava o termo ao comunismo, desafiava a perfeita candidata de manual, Hillary Clinton. Com o passar dos meses, o veterano esquerdista começou a reunir multidões nos comícios. Aos gritos de uma “revolução política”, estava se transformando em um imã aos jovens e seu sucesso ganhou tamanha envergadura que obrigou a campanha democrata a virar à esquerda.

A reportagem é de Amanda Mars, publicada por El País, 10-03-2019.

Perdeu as primárias para Clinton, mas mudou o cenário. Ou, melhor, demonstrou que o cenário havia mudado. Quatro anos depois, Sanders volta a se candidatar para derrotar Donald Trump em 2020. Agora tem 77 anos, sua mensagem já não é tão heterodoxa e enfrenta uma dúzia de pretendentes, alguns tão progressistas quanto ele. O velho político de Vermont, entretanto, mantém sua auréola.

Entre os eleitores de 18 a 34 anos, independentemente de seu gênero e inclinações políticas, Sanders tinha 57% de popularidade em dezembro, de acordo com a pesquisa da Quinnipiac University. Sua porcentagem de apoio fica a anos luz dos 30% nessa mesma pesquisa da senadora por Massachusetts, Elizabeth Warren, que também se lançou à corrida e representou durante anos a grande referência da ala esquerda do Partido Democrata. Sanders é, graças também ao fato de ser mais conhecido, o segundo concorrente melhor avaliado pelos millenials, superado somente pelo ex-vice-presidente Joe Biden, moderado.

“Muitos eleitores norte-americanos, mas os jovens especialmente, estão descontentes com a política no país e querem um candidato que lhes pareça autêntico”, diz Craig Varoga, estrategista democrata. “Bernie Sanders, ame-o ou o odeie, é autêntico, não esconde no que acreditou ao longo de toda a sua vida adulta. Além disso, muitas de suas ideias, como a saúde garantida e ajudar os jovens a pagar sua formação, têm o apoio de muitos democratas, independentemente do rótulo político que se queira dar a essas posturas”.

O senador por Vermont anunciou que iria se candidatar em 19 de fevereiro e nesse dia já arrecadou 5,9 milhões de dólares (22 milhões de reais), de acordo com sua equipe de campanha, quase 20 vezes mais do que Warren em seu primeiro dia e quatro vezes mais do que a senadora californiana Kamala Harris.

Em seis dias, de acordo com os dados publicados pelo The New York Times, ele já possuía 10 milhões de dólares (38 milhões de reais) recebidos de 359.914 doadores cuja idade ronda os 30 anos. O dinheiro, entretanto, nem sempre é a questão principal, como bem mostra o caso de Hillary Clinton e sua derrota nas eleições presidenciais de 2016.

As primárias democratas decidirão se a batalha para derrotar Donald Trump será realizada com uma mensagem mais ou menos inclinada à esquerda. Mas o fato de que os dois pretendentes mais queridos pelos millenials tenham 77 e 76 anos —Sanders, com uma derrota importante às costas, e Biden, com uma vice-presidência— evidencia que para seduzi-los não é preciso necessariamente ser jovem, nem mesmo novo.

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