Papaː reconhecer-se como pecadores para não ser "cristãos somente de palavra"

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26 Outubro 2018

"Quem é Jesus Cristo para você?". A resposta não é fácil e também poderia, de alguma forma, causar "embaraço", porque, para responder, é preciso chegar ao próprio coração e buscar a própria experiência. E então, diz o Papa na missa desta quinta-feira em Santa Marta, "reconhecer-se como pecadores", concretamente, para não ser apenas "cristãos de palavras".

A reportagem é de Salvador Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 25-10-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

"Se alguém nos pergunta ‘quem é Jesus Cristo’ diremos o que aprendemos: é o Salvador do mundo, o Filho do Pai, que ‘recitamos no Credo’”, mas um pouco mais difícil é responder à questão de quem é Jesus Cristo "para mim", declarou Francisco em sua homilia relatada pelo Vatican News.

"É uma questão que nos causa embaraço porque para responder, tenho que chegar ao meu coração", isto é "partir da experiência". Como São Paulo, que tem "a inquietação" de relatar seu encontro com Jesus Cristo quando "o Senhor lhe falou ao coração". Ele não conheceu Cristo "começando pelos estudos teológicos", explica o Papa "Ele me amou e se entregou por mim”: essa é a experiência concreta do apóstolo, o que ele realmente sentiu, e que quer que cada cristão sinta por sua vez.

Bergoglio citou a primeira leitura da missa, tirada da Carta aos Efésios, no qual São Paulo diz exatamente: “enraizados e fundados no amor. Tereis assim a capacidade de compreender qual a largura, o comprimento, a altura, a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que ultrapassa todo conhecimento, porque repletos de toda a plenitude de Deus”.

Para chegar a isso, destaca o Pontífice, o primeiro passo é "reconhecer-se pecador". A primeira definição que Paulo dá de si mesmo é como "pecador", que perseguiu os cristãos. E justamente nessa miséria ele foi "escolhido" por Deus, "por amor".

"O primeiro passo para conhecer a Cristo, entrar neste mistério é o conhecimento do próprio pecado, dos próprios pecados", insistiu o Papa Francisco. No sacramento da Reconciliação, acrescentou, "nós dizemos nossos pecados", mas "uma coisa a dizer os pecados", outra coisa a se reconhecer como pecadores por natureza "capaz de fazer qualquer coisa", "reconhecer-se uma sujeira". Em outras palavras, envergonhar-se de si mesmo, sentir-se necessitado de ser "redimido".

Depois disso, o segundo passo é o da "contemplação", da oração para pedir para conhecer Jesus. O Papa recordou a esse respeito "uma bela oração de um santo: ‘Senhor, que eu Te conheça e me conheça’: conhecer a si mesmo e conhecer Jesus". Aqui acontece a relação de salvação. Não devemos então "nos contentar em dizer três ou quatro palavras corretas sobre Jesus", disse o bispo de Roma, "conhecer Jesus é uma aventura, mas uma aventura levada a sério, não uma aventura de criança", porque o amor de Cristo é sem limites. "Ele tem todo o poder para fazer muito mais do que podemos pedir ou pensar. Ele tem o poder de fazer isso. Mas nós temos que pedir por isso. "Senhor, que eu Te conheça, que quando eu falar de Ti, diga não palavras de papagaio, diga palavras nascidas na minha experiência".

Essa é "nossa força", esse é "nosso testemunho", conclui o papa. "Cristãos de palavras, temos muitos; também nós, muitas vezes o somos. Esta não é a santidade; santidade é ser cristãos que fazem na vida o que Jesus ensinou e o que Jesus semeou no coração".

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