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12 Outubro 2018

"Pergunto se o outro candidato poderia – sem contrariar o que tem declarado até hoje – subscrever os mesmos compromissos. Tudo indica que não", escreve Pedro A. Ribeiro de Oliveira, doutor em Sociologia, professor aposentado dos PPGs em Ciências da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF e da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC Minas, ao comentar o encontro de Fernando Haddad, no dia 11 de outubro, com o secretário-geral da CNBB, D. Leonardo Steiner, para um diálogo sobre o programa a ser executado por seu governo, se eleito Presidente da República".

Segundo ele, "tudo indica que não. Para ele, autoridades religiosas são os Pastores Edir Macedo, Silas Malafaia e Everaldo, que o batizou nas águas do Jordão em maio de 2016".

Eis o artigo.

Eleição é escolha. Quem participa de algum partido tem o poder de escolher quem se candidatará por aquele partido. Já ao simples eleitor ou eleitora só cabe escolher dentre os nomes oferecidos pelos diferentes partidos. E no segundo turno, a escolha reduz-se a duas pessoas. É quase impossível, numa situação dessas, que um dos candidatos corresponda exatamente àquilo que o eleitor deseja para o país. Mas se não existe voto perfeito, o certo é que voto nulo nada traz de bom. Trata-se é de votar criteriosamente. Um dos critérios – não necessariamente o melhor – são os valores cristãos. De fato, eles podem nortear a escolha. Mas, o que são valores cristãos?

Teoricamente, é fácil responder: são os valores decorrentes do Evangelho de Jesus de Nazaré. Mas são tão diferentes as interpretações do Evangelho, que ele perde força como referência última. O caminho prático, então, é seguir a interpretação autorizada pela Igreja a que pertencemos. No caso de quem assina este artigo, essa autoridade é a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB.

No dia 11 de outro, a pedido do candidato, o secretário-geral da CNBB, D. Leonardo Steiner, recebeu Fernando Haddad para um diálogo sobre o programa a ser executado por seu governo, se eleito Presidente da República. A nota pública distribuída logo após o encontro aponta os “assuntos que preocupam os bispos do Brasil: a não legalização do aborto, a proteção do meio ambiente, atenção especial à questão indígena e quilombola, a defesa da democracia e o combate rigoroso à corrupção”. Menciona também “o trabalho realizado pela CNBB durante a Campanha da Fraternidade deste ano que tratou, de forma profunda, da mobilização pela superação da violência” (negritos no original).

Ou seja, dentre todo o leque de políticas de governo, foram esses os seis pontos destacados pela CNBB. Eles devem funcionar como critério para os católicos decidirem seu voto, porque não se trata de expressões vagas como “defesa da família”, “segurança”, e “despolitização da educação”, mas de políticas públicas bem definidas.

O que a CNBB pede é em primeiro lugar, o cumprimento da Constituição Brasileira de 1988. Para o bem do Brasil, não se pode mudar os preceitos constitucionais que asseguram:

•    o direito do feto humano à vida digna;
•    a proteção do meio ambiente;
•    o direito das comunidades indígenas e quilombolas ao seu território
•    as instituições republicanas da democracia.

Em segundo lugar, a CNBB indica como critério para o voto, que sejam implementadas políticas públicas de

•    combate rigoroso à corrupção e
•    mobilização pela superação da violência.

Em entrevista à imprensa, Fernando Haddad declarou subscrever os seis pontos acima e ainda se comprometeu a reverter a proibição ao aumento de gastos com políticas sociais e a reforma trabalhista.

Pergunto se o outro candidato poderia – sem contrariar o que tem declarado até hoje – subscrever os mesmos compromissos. Tudo indica que não. Para ele, autoridades religiosas são os Pastores Edir Macedo, Silas Malafaia e Everaldo, que o batizou nas águas do Jordão em maio de 2016.

Aí têm, então, os cristãos, a referência da autoridade maior da Igreja Católica no Brasil a apontar critérios para a escolha do candidato. Mais não é preciso acrescentar.

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