'Culpar #EleNão pela alta de Bolsonaro é expressão do machismo'

Revista ihu on-line

Missões jesuíticas. Mundos que se revelam e se transformam

Edição: 530

Leia mais

Nietzsche. Da moral de rebanho à reconstrução genealógica do pensar

Edição: 529

Leia mais

China, nova potência mundial – Contradições e lógicas que vêm transformando o país

Edição: 528

Leia mais

Missões jesuíticas. Mundos que se revelam e se transformam

Edição: 530

Leia mais

Nietzsche. Da moral de rebanho à reconstrução genealógica do pensar

Edição: 529

Leia mais

China, nova potência mundial – Contradições e lógicas que vêm transformando o país

Edição: 528

Leia mais

Mais Lidos

  • 80 anos de vida. Pensando nos dias passados, tenho a mente voltada para a eternidade. Artigo de Leonardo Boff

    LER MAIS
  • Leonardo Boff: amigo do bem

    LER MAIS
  • Planos para a educação devem enfraquecer professores e beneficiar negócios de Guedes

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

04 Outubro 2018

Se por um lado a campanha presidencial tem polarizado os eleitores entre os que são contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) com os o que não querem de maneira nenhuma a volta do PT ao poder, o debate sobre as mulheres é central na disputa das narrativas eleitorais.

As explícitas manifestações de Bolsonaro contra os direitos das mulheres, cujo produto mais expressivo do outro lado é o movimento #elenão, colocou a pauta delas na linha de frente nesta campanha.

A entrevista é de Carol Scorce, publicada por CartaCapital, 03-10-2018.

Segundo a última pesquisa Ibope feita antes das manifestações do #elenão no dia 29, o deputado e militar da reserva tinha 36% das intenções de voto entre os homens e 18% entre as mulheres. Ou seja, o dobro de apoio no eleitorado masculino. Em cada três de seus eleitores, apenas uma era mulher (66% contra 33%).

Das manifestações para cá esse quadro começou a se alterar sensivelmente: Bolsonaro cresceu 6% entre as mulheres de acordo com a última pesquisa Ibope. O levantamento do Datafolha também registrou avanço do candidato (de 21% para 27%). Esse crescimento se dá principalmente entre mulheres brancas, de alta escolaridade e do Sudeste.

O crescimento de Bolsonaro na sequência dos atos pegou de surpresa o campo progressista, e trouxe avaliações, inclusive de candidatos progressistas, que "culpam" as manifestações pelo avanço do capitão reforma do Exército na disputa.

Segundo Beatriz Rodrigues Sanchez, pesquisadora do Grupo de Estudos e Gênero da Universidade de São Paulo, culpar as mulheres pela performance de Bolsonaro é mais uma expressão do machismo na sociedade. "O campo progressista não soube aproveitar a força política criada pelas mulheres para a disputa eleitoral", afirma.

Eis a entrevista.

Como você avalia o crescimento do candidato após as manifestações mobilizadas pelo #elenao?

A relação da mobilização social e da mobilização eleitoral é complexa. Não dá pra dizer que foi por causa da mobilização das mulheres que o Bolsonaro cresceu. Um fenômeno só não explica o que ocorreu. Tem mais relação com sentimento anti-petista que aumentou porque o Haddad cresceu nas pesquisas. As pessoas entenderam que o Bolsonaro é o representante desse sentimento, e entendem que a eleição dele é a única alternativa pra barrar a eleição do PT. Tem uma outra questão que explica esse crescimento que é a segurança.

A senhora não acredita que os atos têm relação com esse crescimento?

O campo progressista não soube aproveitar a força política criado por esse movimento de mulheres para disputa eleitoral; então eu acho que a culpa desse crescimento não tá no movimento de mulheres, mas na esquerda como um todo que não conseguiu furar a bolha. Da incapacidade de entender que essa discussão vai além dos nossos redutos.

De imediato, alguns setores, inclusive candidatos de esquerda, associaram diretamente aos protestos a "culpa" pelo acirramento da polarização.

Não é uma surpresa, as mulheres acabam sempre sendo culpadas pelas mais diversas coisas. É a expressão do machismo da nossa sociedade culpar um movimento que foi tão expressivo e tão novo para a democracia. Foi uma surpresa para todos esse crescimento dele (Bolsonaro) logo após os atos de sábado.

Mas os atos foram fundamentais para dizer para a opinião pública que têm coisas que não são aceitáveis para nós (mulheres), como defender a tortura, o armamento, que em seu plano de governo quase não tem menções às mulheres.

E o fato do candidato ter aumentado seu potencial entre as mulheres? O Ibope aponta um crescimento de 6% do seu eleitorado feminino.

Acho que foi uma reação conservadora ao movimento, e que mostra os limites do feminismo liberal. Ou seja, a luta das mulheres deve articular as relações de raça e classe e se comunicar com o povo mais pobre que não tem acesso a esses debates da academia. O #elenão ainda teve um caráter de vanguarda, ou seja, de mulheres de classe média que se mobilizaram. E mostra como as mulheres que não têm acesso a esse debate não estão recebendo informação do que significa para elas mesmas votar no Bolsonaro.

É importante ressaltar que a mobilização teve uma extensão que não se viu antes. Os protestos que as mulheres fizeram em 2015 contra o Eduardo Cunha não chegaram nas cidades do interior, por exemplo. A rejeição das mulheres ao Bolsonaro ainda é expressiva e as mulheres vão influenciar nessa disputa.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

'Culpar #EleNão pela alta de Bolsonaro é expressão do machismo' - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV