Papa: “Quem está parado na vida por medo de se arriscar acaba se corrompendo”

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03 Outubro 2018

Segundo Francisco, há três perigos no caminho da vida. O primeiro: “não caminhar”, ou ficar quieto, não se mexer, não fazer nada, com o perigo de apodrecer como a água de um tanque. O segundo: “o perigo de errar de caminho”. O terceiro: “o perigo de abandonar o caminho para se perder em outro lugar”, do qual, como em um labirinto, é difícil sair. Felizmente, nestas sinuosidades não estamos sozinhos: Deus coloca ao nosso lado “anjos”, entendidos não como seres etéreos, mas, mais frequentemente, pessoas concretas: “companheiros”, “guardiães”, “bússolas humanas” pelo caminho da existência. O Papa dedicou a todos eles a homilia da missa matutina de hoje, 2 de outubro de 2018, na capela da Casa Santa Marta. Hoje, dia em que a Igreja festeja os Santos Anjos da Guarda, o Papa aproveitou a ocasião para felicitar uma monja que estava presente na missa e que completou 25 anos de vida religiosa.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 02-10-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

Francisco refletiu a partir da Primeira Leitura do Livro do Êxodo, segundo informações do Vatican News, principalmente se deteve a pensar na frase do vigésimo terceiro capítulo: “Eu envio o Anjo à tua frente, para que te guarde no caminho, e te introduza no lugar que preparei”. Então, Deus não nos deixa sozinhos, destacou Bergoglio, mas nos manda como ajuda alguns “companheiros” e “protetores” que nos orientam e nos defendem das armadilhas. Uma é precisamente a de cair no medo que nos impede de caminhar: “Quanta gente não caminha e fica a vida inteira parada, sem se mover, sem fazer nada… É um perigo. Como aquele homem do Evangelho que tinha medo de investir o talento. Enterrou-o e [disse]: ‘Eu estou em paz, estou tranquilo. Não tem erro. Assim não me arrisco’. E muita gente não sabe como caminhar ou tem medo de se arriscar, e fica parada”, advertiu o Papa. “Mas nós sabemos que a regra é que quem na vida fica parado, acaba se corrompendo. Como a água, quando está aí, parada, vêm os mosquitos, põem ovos e tudo se corrompe. Tudo. O Anjo nos ajuda, impulsiona-nos a caminhar”. E também nos ajuda para que não nos equivoquemos, perigo latente que somente no início é “fácil corrigir”, e também do perigo de sairmos do caminho para ir “a outro lugar, como em um labirinto”, sem nunca encontrar o final.

Mas esta ajuda, recordou o Pontífice, deve ser invocada: é preciso que rezemos para nosso Anjo da Guarda, ele tem “autoridade para nos guiar”, e nós devemos escutá-lo. “Escuta sua voz e não te revolta contra ele”, diz o Senhor. “Escutar as inspirações, que são sempre do Espírito Santo, mas é o Anjo que as inspiram para nós”, afirmou o Papa Francisco. E depois interrogou aos presentes: “Eu gostaria de fazer a todos vocês uma pergunta: vocês falam com seu Anjo? Vocês sabem qual é o nome do seu Anjo? Vocês escutam o seu Anjo? Deixam-se guiar pela mão, pelo caminho, ou se deixam empurrar para se moverem?”.

A presença e o papel dos Anjos em nossas vidas, afirmou Francisco, é muito mais importante, porque eles não somente nos ajudam a bem caminhar, mas nos ensinam “aonde devemos chegar”. No mesmo “mistério da custódia do Anjo” está a “contemplação de Deus Pai”, no sentido de que nosso Anjo “não só está conosco, mas vê Deus Pai. Está em relação com Ele, é a ponte diária, desde a hora em que nos levantamos até a hora em que nos deitamos, que nos acompanha e é um vínculo entre nós e Deus Pai”.

Francisco também citou o Evangelho de hoje, de Mateus: “Não desprezeis as crianças”, diz o Senhor, porque “seus anjos nos céus sempre veem a face de meu Pai que está nos céus”. O Anjo da guarda é, portanto, uma “porta diária para a transcendência”, que impulsiona “ao encontro com o Pai”. Ele conhece o caminho, fato pelo qual, concluiu o Papa, “não podemos nos esquecer destes companheiros”.

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