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11 Maio 2018

Na narrativa de Maio de 68 na França, uma das fotos mais emblemáticas das manifestações estudantis é a que ficou conhecida como a “Marianne de 68”, ou ainda “A jovem da bandeira”, imagem registrada pelo fotojornalista Jean-Pierre Rey, em 13 de maio de 1968, em Paris. A fotografia mostra uma jovem com uma posição que lembra o quadro A liberdade guiando o povo, de Delacroix, um dos símbolos da República Francesa. Foi a partir da revolta popular que a sociedade francesa começou a despertar para a igualdade de gêneros e o feminismo.

A reportagem é de Andrei Netto, publicada por O Estado de S. Paulo, 10-05-2018.

Em tempos de liberação feminina, Maio de 68 foi essencialmente uma revolução cultural masculina. Essa é uma constatação de escritoras e feministas como Christiane Faure, para quem, 50 anos depois dos eventos, o caráter machista do movimento social que marcou o século 20 fica mais do que claro.

Ainda que não tenham tido destaque entre os líderes do movimento, as mulheres foram essenciais. Simples estudantes ou militantes, elas estavam entre os grevistas, participaram de assembleias e dos protestos, mas seu papel era “subalterno”. “Havia muitas mulheres em 1968. E, a partir de 1970, muitos grupos feministas foram criados. Mas esses grupos nasceram apenas depois de 1968”, lembra Isabelle Saint-Saens, então estudante de economia na Unidade de Nanterre.

“Os movimentos não eram machistas. As mulheres participavam, mas tomavam menos a palavra que os homens. E, quando pensamos nos líderes do movimento, falamos de nomes como Cohn-Bendit, Sauvageot e Geismar.”

A história registra que, em março de 1967, um grupo de estudantes, liderado por Daniel Cohn-Bendit, iniciou um protesto pelo direito de poder visitar os alojamentos universitário das meninas à noite. No entanto, não se falava que as mulheres também lutavam pelo menos direito. Por isso, segundo Isabelle Saint-Saens, Maio de 68 não foi um movimento feminista, mas o despertar do feminismo na França, que ganharia força na década seguinte.

Entre os líderes do movimento, os 50 anos das manifestações também serviram para uma tomada de consciência sobre como os homens bloqueavam o caminho das mulheres. Romain Goupil é um dos mais críticos. Para ele, os adolescentes e jovens que comandavam os eventos eram machistas.

“A partir de Maio de 68 houve uma ascensão da mulher que mudou tudo. Pouco a pouco, elas avançaram no domínio de seus corpos, na contracepção e na independência de seu desejo. Foi o início de um revolução incomensurável”, diz Goupil.

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