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23 Abril 2018

 Capa da IHU On-Line desta semana

O mundo contemporâneo e as sociedades hiperconectadas nos jogam diante de inúmeros desafios. Se por um lado o fenômeno das fake news é efeito desse novo ethos das sociedades em midiatização, a produção desse tipo de conteúdo não se restringe a ele. Trata-se de uma dimensão mais ampla da comunicação mediada não somente pelos usuários das redes, mas por tecnologias de inteligência artificial, sofisticados levantamentos de dados e emulações do comportamento humano por robôs. Toda essa ambiência produz um novo modo de ser e estar no mundo, que exige pensar quais tipos de valores estão sendo propostos. Não parece, contudo, haver dúvida de que estamos diante da necessidade de construirmos uma rede e uma sociedade que não sejam entrópicas e que tenham, como horizonte, o respeito à diversidade e a preservação dos valores da pessoa humana.

Para pensar essa problemática, a revista IHU On-Line desta semana reúne uma série de pesquisadores, de diferentes áreas, para pensar a emergência das fake news.

 Contracapa da IHU On-Line desta semana

Rafael A. F. Zanatta, pesquisador em Direito e Sociedades Digitais com mestrado em Direito e Economia Política pela International University College of Turin, defende que devemos aprofundar as diferentes taxonomias do que está por trás das fake news.

Sérgio Amadeu, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo - USP, alerta sobre os riscos de acreditarmos em um “ministério da verdade”. “Nós precisamos ter muita clareza de que a luta contra as fake news não pode virar uma ação de censura prévia ou a perseguição de determinados grupos não hegemônicos”, pontua.

Segundo o professor, pesquisador e vice-reitor da Unisinos, Pedro Gilberto Gomes, estamos vivendo uma anomia ética que requer a produção de um novo pacto social. “O que deve ser trabalhado são as coisas fundamentais em termos de respeito à diferença, respeito às opções de cada um, à dignidade humana, aos direitos humanos”, frisa.

Pensando a dimensão das fake news a partir do campo do Direito, Ricardo Campos, da Goethe Univerität Frankfurt, na Alemanha, é preciso preservar as instituições caras à democracia. “O grande risco de se gerar conteúdo falso é de se criar uma esfera pública artificial, que não condiz com a real expressão da representatividade dos meios de comunicação ou mesmo da sociedade”, assinala.

Fausto Neto, doutor em Sciences de La Comunication et de L'information - Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, da França e professor na Unisinos, investir na apuração das fake news é como tentar remendar um cano furado. Por isso ele sugere um “processo de letramento, educar a sociedade para compreender o protocolo de comunicação no qual ela vive, desautomatizar a comunicação”.

A professora e pesquisadora da Unicamp, Anna Bentes, aborda o tema das fake news a partir de uma abordagem linguística analisando os meandros discursivos. “Em segundo lugar, é possível observar que o que é falso nas fake news resulta de um deliberado trabalho de manipulação e/ou de falseamento de determinados elementos estruturadores dos textos”, frisa.

Para a doutoranda e pesquisadora na Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS Taís Seibt, construir uma cultura que privilegie a verificação das notícias é um dos caminhos para enfrentar as crises produzidas pela circulação de fake news. “Os processos de verificação e fact-checking vêm acompanhados de um método jornalístico mais transparente, que permite ao leitor escrutinar o processo de apuração”, destaca.

Complementam a edição a entrevista com Angélica Massuquetti, professora da Escola de Gestão e Negócios da Unisinos, sobre a relação de combate à pobreza e a concentração de renda. A professora debaterá o tema no Ciclo de debates desigualdades no contexto econômico brasileiro, promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, no dia 03 de maio de 2018, das 17h30min às 19h na Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros, no IHU. 

Bruno Lima Rocha, na Coluna Internacional do curso de Relações Internacionais da Unisinos, discute a atual situação do governo de Honduras.

 Capa do Cadernos IHU ideias, Nº. 269

Na seção Publicações, apresentamos o artigo de Osiel Lourenço de Carvalho intitulado A perversão da política moderna: a apropriação de conceitos teológicos pela máquina governamental do Ocidente, a partir da perspectiva da obra de Giorgio Agamben, publicado por Cadernos IHU ideias, no. 269 

A revista IHU On-Line estará disponível na segunda-feira, a partir das 17h, nesta página, nas versões html, pdf e ‘versão para folhear’.

A edição impressa circulará na terça-feira, no campus da Unisinos São Leopoldo, a partir das 8h. A partir das 12h, circulará no campus Porto Alegre.

 

A todas e a todos uma boa leitura e uma excelente semana!

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