Síndrome burnout no ambiente acadêmico

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17 Abril 2018

"É de senso comum o alto nível de complexidade e responsabilidade que envolve o dia-a-dia de um médico. Porém medidas precisam ser estudadas e aplicadas em prol do bem-estar físico e mental dos graduandos. Precisa-se tratar o assunto desde o início para evitar o surgimento do burnout", escreve Lucas Penchel, médico nutrólogo e diretor da Clínica Penchel, em artigo publicado por EcoDebate, 16-04-2018. 

Eis o artigo. 

No Brasil, uma pesquisa feita pela sede brasileira da International Stress Magagement Association (Isma), em 2016, com mil profissionais, mostrou que 72% dos entrevistados sofriam com estresse, sendo que 30% deles apresentavam síndrome de burnout. Definida por Herbert J. Freudenberger como “(…) um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional", o distúrbio envolve, principalmente a busca pelo reconhecimento e o foco no trabalho como fonte exclusiva de prazer e sucesso.

Apesar de estar presente em várias áreas profissionais, o esgotamento profissional parece assombrar mais àqueles que escolheram medicina como profissão, como pude observar por natureza própria. Segundo relatório feito pelo Medscape Physician Lifestyle Report, em 2015, 46% dos médicos entrevistados nos Estados Unidos possuem a síndrome burnout. Embora alarmante, a pesquisa não é uma surpresa. A cobrança por resultados e a pressão para conseguir entrar na universidade de medicina são pontos que mereciam uma atenção maior por parte das autoridades relacionadas ao assunto; seja Governo ou instituição.

Na primeira edição de 2017 do Sistema de Seleção Unificada (SISU) na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o curso de medicina foi o mais disputado, alcançando a marca de 13.084 inscrições para 320 vagas; ou seja, cerca de 654 candidatos para cada vaga disponibilizada. Por conta da alta procura pela vaga, a nota de corte para ampla concorrência, por exemplo, foi de 811,70. Além da concorrência acirrada por vaga em uma universidade pública, aqueles que optam por faculdade privada têm que enfrentar o valor altíssimo das mensalidades e dos gastos com materiais e livros. Ambos os casos, a abdicação da vida social é inevitável, devido ao alto número de trabalhos, provas e residência.

Muitos não aguentam o elevado nível de cobrança e apresentam quadros de ansiedade, depressão, vícios ou, até mesmo, suicídio. Somente neste primeiro trimestre, uma faculdade privada de Minas Gerais perdeu dois estudantes de medicina – um do nono período e o outro do quarto – vítimas de suicídio. Sendo que no ano passado, 2017, mais dois alunos da mesma faculdade tiraram a própria vida.

É de senso comum o alto nível de complexidade e responsabilidade que envolve o dia-a-dia de um médico. Porém medidas precisam ser estudadas e aplicadas em prol do bem-estar físico e mental dos graduandos. Precisa-se tratar o assunto desde o início para evitar o surgimento do burnout, visto que é o sintoma mais frequente e a porta de entrada para consequências, muitas vezes, irrevogáveis.

Em suma, trabalhar melhor o quadro de horários e das provas, propor carga horária justa, instituir atividades paralelas que promovam “relaxamento” e oferecer ajuda psicológica já será um grande avanço em relação ao caso. As taxas alarmantes burnout nas faculdades de medicina certamente diminuiriam e os alunos se sentiriam acolhidos e apoiados de certa forma.

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