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15 Dezembro 2017

"Responder a um ato violento de igual maneira ou pior, solucionará os gritantes problemas?", escreve Felipe Augusto Ferreira Feijão, estudante de Filosofia na Universidade Federal do Ceará - UFC

Eis o artigo.

Estudo recente da Fundação Abrinq, mostra que no Brasil, a cada 48 minutos uma criança ou jovem é assassinado. Esse dado assustador, expõe na formalidade de estatística numérica, o que é reflexo da realidade vivenciada e sentida por todos.

Vive-se num constante estado de alerta. A violência se manifesta de diversas maneiras. Nas periferias dos grandes centros urbanos, onde prevalece o abandono e a negligência de serviços públicos, a violência marca forte presença. Ora, se não há minimamente oferta de condições de vida digna, por que, então se pensa que a intervenção do braço armado (proveniente da mesma estrutura de onde deveriam ter sido ofertados os serviços que colaborariam para a minoração da violência), adianta? Sim, pode ter utilidade momentânea.

É desse modo que o estado de alerta submete todos a um medo contínuo. Devido a isso, as relações sociais ficam prejudicadas. A perversa lógica do medo, diminui, pois, a afirmação e o reconhecimento do outro também como sujeito. Sujeito é o agente de algo. Numa sociedade civil adequada, todos são sujeitos, isto é, participam, são incluídos, atuam.

Consequentemente, o discurso que permanece no âmbito formal, parece não dialogar com o mundo da realidade que se manifesta. Isso implica no que resultará, por exemplo, na punição, que é exercida sobre a conjuntura, mas os componentes desta, antes, de alguma forma, foram punidos.

Outro discurso que se assemelha ao mencionado, é o que reclama pela violência. Infelizmente, essa ideia confusa, também não dialoga com o que realmente acontece. Responder a um ato violento de igual maneira ou pior, solucionará os gritantes problemas?

Sabe-se, com efeito, que o problema de um permanente estado de guerra, não está isolado de outros problemas que se relacionam numa imbricação mútua e profícua. Basta observar a produtividade desse relacionamento em dados de estudos como o referido neste texto.

A mediocridade, marca registrada no modo de gerir a coisa pública, segue impedindo que esse cenário de barbárie seja alterado.

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