Castillo responde aos seus críticos: “Ou nós cremos em Deus ou cremos no inferno”

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13 Agosto 2017

“É possível conciliar a bondade absoluta de Deus com a maldade absoluta que carrega dentro si o fato de fazer sofrer sem outra possível finalidade que fazer sofrer?”, pergunta-se José María Castillo, em artigo publicado por Religión Digital, 10-08-2017. A tradução é de André Langer.

Eis o artigo.

Recentemente, publiquei, uma síntese da excelente Semana Bíblica sobre o tema da morte, explicado pelos professores Alberto Maggi e Ricardo Pérez Márquez, do Centro Studi Biblici G. Vannucci, de Montefano (Itália). Neste encontro, eu fiz uma intervenção para expor (de forma resumida) dois temas necessariamente relacionados (para os crentes) à morte: o pecado e o inferno.

Confesso que fiquei impressionado com a reação de muitos leitores do Religión Digital. Não pela violência e pela agressividade desses leitores manifestadas em seus comentários, mas pela ignorância que deixam transparecer naquilo que dizem. Quando uma pessoa não tem outra resposta senão o insulto para expressar a sua discordância, é porque não tem argumentos para rebater o que pensa que deve rejeitar.

Mas vamos à questão que interessa. Em primeiro lugar, o “inferno”. No ensino do Magistério da Igreja, a existência do inferno não é definida como um dogma de fé.

O que o Magistério papal ensinou é que “aqueles que se vão deste mundo em pecado mortal” são condenados (Denz.-Hün., 1002, 1306). Mas o que não está definido em nenhum lugar é que alguém tenha morrido em pecado mortal. Nem sobre Judas podemos fazer semelhante afirmação, porque transcende este mundo. E nunca esteve, nem poderá estar ao nosso alcance. Portanto, embora em alguns documentos eclesiásticos apareça a palavra “inferno”, semelhante termo não passa de mera hipótese, que ninguém disse que realmente existe.

Além disso – e essa é a questão mais eloquente –, se o inferno realmente existe, somente Deus poderia tê-lo criado; e somente Deus poderia mantê-lo. Mas isso é realmente possível? O inferno, por definição, é um castigo. E um castigo eterno. Pois bem, um castigo – qualquer que seja – pode ser programado e realizado como meio ou como fim. Como “meio”, o que fazemos constantemente: castiga-se para educar, para corrigir, para evitar que um criminoso siga cometendo crimes, etc. Mas se o castigo é “eterno”, nesse caso (único), não pode ser meio para nada. Ou seja, não tem (nem pode ter) outra finalidade senão fazer sofrer.

Mas, neste caso, é possível conciliar a bondade absoluta de Deus com a maldade absoluta que carrega dentro si o fato de fazer sofrer sem outra possível finalidade que fazer sofrer?

Sendo assim, não é preciso esquentar muito a cabeça para chegar a uma conclusão: ou cremos em Deus ou cremos no inferno. Harmonizar essas duas crenças, ocultando o que interessa para “que colem”, e, sobretudo, para meter medo nos indefesos ouvintes de tantos apaixonados sermões de igreja, isso é usar (e abusar) de Deus para obter o que nos convém.

É verdade que ao negar a existência do inferno deixamos a descoberto o problema da justiça divina. Justiça da qual lançamos mão para explicar a solução definitiva que terá a incontável quantidade de maldades que vemos e sofremos neste mundo. Mas, neste caso, o que devemos nos perguntar é se não colocamos nas mãos de Deus a tarefa de fazer a justiça que nós não temos nem a liberdade nem a coragem de fazer.

Além disso, “crime” e “pecado” não são a mesma coisa. Aqueles que, de acordo com suas crenças, se veem como pecadores, terão que se ver com Deus. Mas, se formos honestos e coerentes teremos que aceitar que este mundo está tão fraturado e é causa de tanto sofrimento porque nós permitimos que chegasse a essa situação e aceitamos que as leis, a justiça e o direito não existam em alguns casos, não sejam aplicados em outros, de maneira que os incipientes e incompletos Direitos Humanos que conseguimos redigimos, nas questões de consequências mais graves, não passem de meros enunciados que nunca são aplicados em defesa daqueles que têm que suportar o peso da vida.

E queremos exigir que Deus salve a nossa pele? É para isso que serve a religião? Para exigir que Deus resolva os problemas que nós teríamos que resolver? Se este mundo está tão dilacerado como está, não é porque Deus o criou assim. Nós somos responsáveis por esta situação. E cabe a nós humanizá-lo e torná-lo mais habitável.

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