Bispo de São Félix do Araguaia denuncia a devastação ambiental na Amazônia

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18 Fevereiro 2017

Uma das missões de todo cristão é ser profeta, uma das dimensões que pouco a pouco a Igreja foi perdendo. Diante desta atitude, ainda existem pessoas que não têm medo de estar do lado de pessoas e realidades que são agredidas, maltratadas e exploradas.

A reportagem é de Luis Miguel Modino e publicada por Religión Digital, 16-02-2017. A tradução é de André Langer.

A Mãe Terra, a Pacha Mama, nossa Casa Comum, é constantemente assediada e esgotada por pessoas que só pensam no lucro, independentemente de que este seja à custa do sofrimento de todos.

Dom Adriano Ciocca é bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia, a mesma em que vive, desde a sua chegada ao Brasil, em um já distante junho de 1968, um dos grandes profetas da Amazônia, Pedro Casaldáliga, defensor dos pobres e da Casa Comum.

Nascido na Itália, dom Ciocca chegou ao Brasil em 1979 para trabalhar como missionário Fidei Donum no Nordeste do Brasil, onde permaneceu, primeiro como padre e mais tarde como bispo, nas dioceses de Petrolina e Floresta, de onde foi bispo de 1999 a 2012, momento em que, como ele mesmo ressalta, “após muita insistência do núncio”, transferiu-se a esta Prelazia situada no sul da região amazônica.

Dom Ciocca é um bispo de extrema simplicidade, daqueles que se misturam com as pessoas. Sandálias de borracha, cruz de madeira como peitoral, não se importa em percorrer longas distâncias de ônibus por estradas poeirentas, alguém que está distante de paradigmas episcopais que muitos querem preservar a todo custo. Como alguém que assume a dimensão profética da vida cristã, não tem medo de denunciar situações injustas, embora isso possa levar ao confronto com os que mandam ou controlam a estrutura social.

Em uma recente entrevista à Rádio Vaticano, o bispo de São Félix do Araguaia não duvidou em denunciar que o cultivo da soja está acabando com a região onde é pastor, e o que é pior, que está fazendo com que os mais pobres, pequenos agricultores (presentes em 14 dos 15 municípios da Prelazia) e os poucos indígenas que ainda sobrevivem, se vejam cada vez mais ameaçados por um agronegócio cruel e sem escrúpulos, que envenena as terras, as águas e as pessoas, pois “o avanço da agroindústria parece não ter freio”.

Dom Ciocca ressalta que: “ao chegar ao Vale do Araguaia, que é o território da Prelazia, ouvi muitas histórias das famílias que visitei – passei um ano e meio visitando uma a uma as comunidades – e me disseram que há 40 anos ali era tudo mato e vegetação. Agora, na região, não há mais floresta nem vegetação, apenas grandes extensões de soja e milho”.

Estas atitudes nos ajudam a descobrir a necessidade de cuidar da Casa Comum, de não ter medo de denunciar aquelas situações que impedem a continuidade da vida. Calar, sobretudo quando são realidades próximas, nos torna cúmplices de um sistema econômico injusto que mata, como bem nos recorda o Papa Francisco na Laudato Si’.

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