Argentina. A Igreja admite os abusos sexuais de seminaristas por parte do fundador do Instituto do Verbo Encarnado

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15 Dezembro 2016

Pela primeira vez, desde quando explodiu o escândalo, a Igreja admitiu que as denúncias de abuso sexual e a imputabilidade contra o padre Carlos Miguel Buela são verazes. Trata-se do fundador do Instituto do Verbo Encarnado (IVE), que é acusado de violar vários seminaristas da congregação. No caso, além disso, está envolvido também o padre Fernando Yañez. Ambos já estão afastados dessa organização religiosa.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 13-12-2016. A tradução é de André Langer.

Diante da pressão social surgida com a divulgação do caso, o Vaticano manifestou-se através de um comunicado lido pelo arcebispo de San Rafael (Mendonça, Argentina), Eduardo María Taussig.

Neste sentido, assinalou que “não foram constatados casos de abusos de menores que podem ser atribuídos ao padre Carlos Miguel Buela, fundador do IVE”, embora “tenham surgido outras denúncias contra ele, sobre ações em matéria sexual que afetaram religiosos e seminaristas do Instituto”.

“A congregação competente da Santa Sé, tendo garantido o exercício do legítimo direito de defesa do envolvido, determinou, conforme procedimentos canônicos vigentes, a veracidade das denúncias e a imputabilidade do padre Buela de comportamentos impróprios com maiores de idade”, acrescentou.

Diante da tentativa de livrar o religioso do abuso de menores, a resposta de Luis, o seminarista que durante 18 anos denunciou os abusos de Buela, não se fez esperar. “É uma meia verdade: não se conhece até o momento denúncias de vítimas menores do fundador do Verbo Encarnado, mas mais de uma dúzia de casos com adultos absolutamente vulneráveis (por terem sido súditos ou dirigidos espirituais) pelos quais foi castigado pela Santa Sé, embora hoje alguns superiores do IVE neguem os fatos ao público”, disse.

Sobre o jovem seminarista, a Arquidiocese notificou que, “assim que teve notícia, por parte da vítima, procedeu-se à devida investigação prévia com responsabilidade e rapidez, e a elevou à autoridade competente da Santa Sé”.

No texto, que também foi divulgado pela agência católica AICA, assegurou-se que o religioso “está proibido de exercer o seu ministério e qualquer ato sacerdotal em público ou em privado”. E a Arquidiocese acrescentou: “Suas reiteradas declarações públicas de que continua celebrando a eucaristia e outros sacramentos manifestam a pertinaz atitude de desobediência a todas as autoridades da Igreja”.

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