Bispos norte-americanos fazem clara declaração pró-imigrantes ao elegerem Gómez para a direção da Conferência Episcopal

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16 Novembro 2016

Apenas sete dias após a vitória de Donald Trump, a escolha dos bispos dos EUA de um prelado mexicano apaixonado pela questão dos direitos dos imigrantes não pode deixar de ser vista como uma poderosa declaração de prioridades, pela liderança da Igreja Católica norte-americana.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 15-11-2016. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Dom José Gómez de Los Angeles poderia muito bem ter sido eleito para uma posição importante na conferência de bispos dos EUA em qualquer circunstância, uma vez que é considerado uma figura popular e querida entre seus colegas e alguém extremamente comprometido com a doutrina e as práticas tradicionais da Igreja Católica.

Apenas sete dias após a vitória de Donald Trump, no entanto, depois de uma campanha conturbada no que diz respeito à temática das imigrações, a escolha de um prelado mexicano apaixonado por direitos dos imigrantes não pode deixar de ser vista como uma poderosa declaração de prioridades pela liderança da Igreja Católica norte-americana.

Para ser justo, a primeira votação do dia foi, na verdade, para a presidência da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, mas o resultado já era esperado, pois os bispos geralmente escolhem o vice-presidente. Neste caso, isso significava que o indicado mais provável era o cardeal Daniel DiNardo de Galveston-Houston.

O que interessava, portanto, era a vice-presidência, e, no final, embora houvesse nove candidatos, o resultado ficou entre o arcebispo Gregory Aymond de Nova Orleans ou Gomez. Após as duas votações iniciais, eles se enfrentaram em um desempate e Gomez ganhou a maioria dos votos.

Em outras circunstâncias, a votação final poderia ser um teste interessante para saber o posicionamento dos bispos norte-americanos em relação à experiência do Papa Francisco no catolicismo, uma vez que Aymond é geralmente visto como um progressista moderado que enfatiza muitas das mesmas questões sociais de justiça que o pontífice, ao passo que ao longo dos anos, Gomez, membro da organização católica Opus Dei, é considerado um pouco mais conservador e tradicional, no geral.

No entanto, dois fatores provavelmente mudaram os cálculos desta vez.

Em primeiro lugar, esperava-se que Gomez, como o arcebispo da maior diocese católica dos Estados Unidos e também o primeiro bispo latino-americano no país concorrendo a este posto, fosse nomeado cardeal na próxima vez que um norte-americano recebesse o chapéu vermelho do papa.

Em vez disso, Francisco optou por elevar a cardeal Dom Blase Cupich, de Chicago, o arcebispo Joseph Tobin, de Indianápolis (posteriormente nomeado para Newark), e o Bispo Kevin Farrell, de Dallas, que está liderando um novo departamento do Vaticano relacionado à família, aos leigos e à vida.

Enquanto poucos realmente almejavam essas posições, houve, no entanto, uma grande comoção pelo que aconteceu com Gomez e um senso natural de simpatia por alguém que, para os bispos, foi passado para trás ou deixado de fora do Colégio de Cardeais.

Nesse contexto, deixar Gomez na dianteira para se tornar presidente da conferência foi o caminho mais curto que os bispos norte-americanos tinham para compensar a decepção de ele não ter sido nomeado cardeal.

Ainda mais relevante do que isso, no entanto, foi o provável efeito da vitória inesperada de Trump na eleição presidencial de terça-feira.

O que quer que sejam as preocupações dos bispos norte-americanos, a defesa de imigrantes emergiu nos últimos anos como uma prioridade cada vez mais crítica. Em parte, porque para eles essa é uma prioridade essencial para os direitos humanos, que está em sintonia com a agenda do Papa Francisco, e em parte, porque esses imigrantes também tendem a ser membros do rebanho dos próprios bispos, já que eles são, em sua grande maioria, católicos.

Uma trajetória chave no catolicismo norte-americano hoje é um "de volta para o futuro" dinâmico, no qual a Igreja está mais uma vez se tornando uma comunidade de trabalhadores imigrantes e, portanto, a defesa dos direitos dos imigrantes não é um simples exercício humanitário abstrato para muitos bispos, mas refletem as pessoas que eles veem nos bancos da Igreja em suas comunidades locais.

Para ser claro, seria errado encarar a escolha de Gomez inteiramente como uma declaração anti-Trump e pró-imigração.

Ele não encabeça a agenda progressista da Igreja norte-americana de forma alguma.

Pelo contrário, é um dos protegidos do arcebispo Charles Chaput, da Filadélfia, tendo iniciado sua carreira como auxiliar de Chaput em Denver, e é considerado pelos bispos parte do grupo moderado a conservador. Ele é solidamente pró-vida, acredita firmemente na necessidade de uma melhor catequese e fundamentação na doutrina, e vê uma grave ameaça no secularismo crescente e nos ataques à liberdade religiosa.

Dito isto, há um subtexto mais transcendente no momento em que a política norte-americana parece estar tendendo construção de muros e à clausura como resposta direta à crescente presença de imigrantes, Gomez encarna uma proposta diferente: de origem mexicana, mas totalmente assimilado aos EUA, sem o qual a Igreja e a sociedade norte-americanas perderiam muito.

Com certeza, como líder da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, Gomez se esforçará para ser um porta-voz de toda a doutrina social católica, incluindo as suas posições sobre os imigrantes. No entanto, mesmo sem se esforçar para isso, Gomez transmite a mensagem em sua biografia e história pessoal. Nesse contexto, o discurso explícito praticamente não cabe.

Em poucas palavras, essa é a mensagem que os bispos norte-americanos passaram na terça-feira. Uma mensagem que com certeza vai reverberar por um bom tempo.

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