Lula é acusado de ser “maestro de orquestra criminosa” pela Lava Jato

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15 Setembro 2016

Para procuradores, petista é "comandante máximo" de esquema de desvios em estatal. Ex-presidente nega irregularidades e diz que força-tarefa e juiz Sérgio Moro são parciais.

A reportagem é de Afonso Benites e publicada por El País, 14-09-2016.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi denunciado pela força-tarefa do Ministério Público Federal, baseada em Curitiba, no âmbito da Operação Lava Jato. O ex-mandatário é suspeito de ter recebido vantagens indevidas da empreiteira OAS por meio de um apartamento tríplex no Guarujá e de receber "dissimuladamente" 3,7 milhões da empresa provenientes supostamente de propinas.

A defesa de Lula voltou a negar a propriedade do triplex e diz que as acusações mais gerais são inconsistentes. Em entrevista coletiva para explicar o caso, o procurador Deltan Dallagnol usou diferentes metáforas e gráficos tipo Power Point para dizer que Lula não só se beneficiou no caso do apartamento do litoral como era o "comandante máximo" do esquema de corrupção da Petrobras, "verdadeiro maestro dessa orquestra criminosa", para onde todos os vértices -que incluem a indicação de cargos-chave- convergiam. A trama foi responsável por bilhões de prejuízo na estatal, segundo a investigação.

Se o juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, acatar a acusação feita pela Procuradoria de que Lula cometeu crime de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro, o petista se tornará réu. Ele pode ser preso caso sejam considerado culpados ou se o magistrado entender que está tentando atrapalhar as investigações. Em julho, o ex-presidente se tornou réu pela primeira vez por consequência da Lava Jato, quando a Justiça Federal do Distrito Federal, responsável por caso correlato, acatou a denúncia por supostamente tentar obstruir as investigações.

Além de Lula e da sua mulher, Maria Letícia, os outros denunciados desta são o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, o arquiteto Paulo Gordilho e quatro ex-membros da OAS o ex-presidente José Adelmário Pinheiro (conhecido como Léo), o ex-executivo Agenor Franklin Magalhães Medeiros, além dos ex-funcionários Fábio Hori Yonamine e Roberto Moreira Ferreira.

Na época do indiciamento do casal Lula, a PF entendeu que eles receberam “vantagens ilícitas, por parte da OAS, em valores que alcançaram 2,4 milhões de reais referentes às obras de reforma no apartamento 164-A do Edifício Solaris, bem como no custeio de armazenamento de bens do casal”. Lula teria recebido vantagens junto à Granero Transportes LTDA, que armazenou os pertences do ex-presidente entre os anos de 2011 e 2016. Conforme as investigações, o imóvel entregue a Lula foi adquirido pela OAS e recebeu benfeitorias da empreiteira, envolvida no esquema de corrupção da Petrobras. A polícia acusa o ex-presidente de ser o verdadeiro dono do imóvel.

Lula acusa Lava Jato de parcialidade

Nesta segunda-feira, a defesa de Lula repetiu que as acusações da força-tarefa da Lava Jato são inconsistentes e que não apresentaram provas dos crimes que atribuem ao petista, como o de ser "comandante máximo" do esquema de corrupção na Petrobras. Os advogados de Lula repetiram que o ex-presidente nem a sua mulher são proprietários do triplex do Guarujá. Em várias oportunidades, a defesa acusou os procuradores da Lava Jato e o juiz Sérgio Moro de serem parciais ao investigar e tomar decisões relativas a seu caso. Até agora, a Justiça não acolheu esses apelos.