"A Justiça deve reconhecer apenas a verdade sobre o massacre de Curuguaty", afirma bispo paraguaio

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27 Junho 2016

O bispo de San Juan Bautista de las Misiones (Paraguai), Dom Mario Melanio Medina Salinas, acusou o vice-presidente Federico Franco de ser responsável pelo "massacre de Curuguaty".

A reportagem é da Agência Fides, 23-06-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O bispo afirmou que a tragédia, ocorrida no dia 15 de junho de 2012, na qual foram mortos 11 agricultores e seis policiais em um tiroteio, era uma "armação" para fazer com que Franco fosse eleito presidente.

No seu estilo direto e sem rodeios, Dom Medina disse em um encontro com os jornalistas na sede da Conferência Episcopal do Paraguai (CEP) de Assunção que "a Justiça tem uma grande responsabilidade perante a história no caso Curuguaty, porque, de um lado, há aqueles que fazem pressão e, de outro, há a verdade, e se deveria reconhecer a verdade".

No dia 15 de junho de 2012, 17 pessoas foram mortas, 11 agricultores e seis policiais, durante a tentativa de expulsar os camponeses que tinham tomado posse das terras de Marina Cué. Os agricultores defendiam que a terra era do Estado e devia ser atribuída a eles, enquanto a sociedade Campos Morumbi, do falecido senador Blas Riquelme, reivindicava a sua propriedade.

Depois do massacre, o Congresso acusou o presidente Fernando Lugo, deposto do seu cargo poucos dias depois, de promover as invasões das terras.

Depois de quatro anos que os autores do massacre não foram identificados, a Procuradoria, há poucos dias, reformulou as acusações contra os agricultores: associação ilícita, abuso de propriedade privada e homicídio culposo, enquanto, em 2012, eles só tinham sido acusados de tentativa de homicídio.

Dom Medina Salinas lembrou que, no lugar, havia 300 policiais e apenas 60 camponeses, incluindo mulheres e crianças, disse: "É justamente uma vergonha! Querem condená-los a qualquer custo! Foi um crime contra eles, e agora eles estão sob acusação. Peço que os juízes tenham ética e moral para fazer um processo justo!", concluiu.

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