Índice aponta trabalho escravo em empresas hi-tech

Mais Lidos

  • Governo Trump retira US$ 11 mi de doações de instituições de caridade católicas após ataque a Leão XIV. Artigo de Christopher Hale

    LER MAIS
  • Procurador da República do MPF em Manaus explica irregularidades e disputas envolvidas no projeto da empresa canadense de fertilizantes, Brazil Potash, em terras indígenas na Amazônia

    Projeto Autazes: “Os Mura não aprovaram nada”. Entrevista especial com Fernando Merloto Soave

    LER MAIS
  • Para o sociólogo, o cenário eleitoral é moldado por um eleitorado exausto, onde o medo e o afeto superam os projetos de nação, enquanto a religiosidade redesenha o mapa do poder

    Brasil, um país suspenso entre a memória do caos e a paralisia das escolhas cansadas. Entrevista especial com Paulo Baía

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

02 Junho 2016

Pode surpreender que, no Índice Global de Escravidão, a operosa Hong Kong, onde a sociedade civil está envolvida em um duro braço de ferro para garantir direitos e liberdades evitados em outros lugares da grande China, está colocada na mesma categoria de países como a Coreia do Norte, Irã e Eritreia pela resposta definida como "inadequada" a várias formas de escravidão.

A reportagem é de Stefano Vecchia, publicada no jornal Avvenire, 01-06-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

De fato, se no território, a casuística de abusos e inadimplências na consistente comunidade de imigrantes para satisfazer as necessidades da própria população produtiva é ampla, o relatório também aponta o dedo contra os abusos internos e externos ao seu território que dizem respeito às empresas, muitas vezes subcontratadas de multinacionais que, aquém ou – majoritariamente – além da fronteira com a mãe-pátria chinesa, têm lucrativas realidades produtivas. Começando pela eletrônica de consumo.

Como lembra o relatório, nas três maiores categorias que buscam delimitar as razões da escravidão global, o grande negócio está situado no mesmo nível do crime organizado e da exploração de seres humanos. A importância do problema, de fato, também é econômica (um valor global estimado em 150 bilhões de dólares por ano), com atores que, muitas vezes, fingem ignorar que a busca de mão de obra barata tem um preço elevado em dignidade, saúde e direitos negados.

Não por acaso, o próprio promotor do relatório, Andrew Forrest, pede que os governos das 10 economias mais desenvolvidas "elaborem e apliquem leis que sejam ao menos tão severas quanto aquela contra a escravidão moderna aprovada no Reino Unido em 2015, que assegura recursos e vontade de incidir nas empresas que apresentem, na sua cadeia de fornecedores, formas de escravidão, e que garante uma supervisão independente".

Como confirmação de uma tendência positiva de ação, em fevereiro passado, o presidente dos EUA, Barack Obama, assinou a atualização de uma lei comercial de 1930 para impedir que as mercadorias de importação tenham também trabalho escravo entre os seus "ingredientes".