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21 Março 2014

ONU elabora Objetivos de Desenvolvimento Sustentável a serem alcançados até 2030. Apesar de o desafio ser criar metas que envolvam e inspirem governantes a cumpri-las, alcançar os resultados também depende do setor privado.

A reportagem é de Carolina Kannebley, publicada pela Agência Envolverde, 20-03-2014.

 “Os riscos são muito altos agora, não podemos continuar na inércia da colisão entre as esferas econômicas, ambientais e sociais”. Essa foi uma das primeiras colocações feitas por Jeffrey Sachs, diretor do Instituto Terra e Assessor Especial do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon. Na conversa “Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS): o desafio de criar uma rede de soluções”, ele afirmou que, ao mesmo tempo que a humanidade nunca esteve tão interconectada, também nunca esteve tão perto do ponto de não-retorno. Segundo Sachs, a solução deve ser pensada em escala global e o grande desafio é encontrar um caminho em conjunto.

Dentro da esfera da ONU, que tem 193 países membros, o conselheiro desenvolve com grupos de trabalho a Agenda de Ação para o Desenvolvimento Sustentável, ou Sustainable Development Solutions Network (SDSN), que irá estabelecer metas de desenvolvimento sustentável aos moldes dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs). “O objetivo é criar uma rede que inspire os países a assumir metas de sustentabilidade e ajude a solucionar os problemas”, explica.

Sachs acredita que definir metas claras ajuda no cumprimento dos objetivos, que abordarão dez temas: acabar com a pobreza; promover o crescimento sustentável e empregos; educação para todos; proteção dos direitos humanos; saúde para todos; agricultura sustentável; cidades sustentáveis; energia sustentável e mudanças climáticas; biodiversidade sustentável; e boa governança. O processo agora está em definir indicadores para cada um dos temas. Esses indicadores estão abertos para consulta pública até o dia 28 de março próximo. Para participar, acesse o site http://www.unsdsn.org.

Dois novos capítulos foram produzidos para a SDSN, um para o Brasil e outro específico para a Amazônia, o que mostra a importância que o país tem para o tema. O professor Virgílio Viana, Superintendente Geral da Fundação Amazonas Sustentável e coordenador da iniciativa SDSN Amazônia, ressalta que a oportunidade de ruptura é cada vez menor e que “não é uma mudança simples, é uma metamorfose”. Virgílio explica que é possível produzir riqueza na Amazônia de forma sustentável, desde que a educação se torne relevante e auxilie no desenvolvimento de ferramentas para uso inteligente da floresta.

Dentro dos pontos discutidos na iniciativa para a Amazônia estão a busca por soluções já existentes, como a cooperação sul-sul dentro da Amazônia, e a premiação para soluções, que tem como maiores desafios como ampliar o financiamento para outros temas e a definição de critérios e indicadores. “Se temos metas, temos que ter indicadores”, finaliza Virgílio.

Luciana Villa Nova, gerente de sustentabilidade da Natura, contou ao público que, além de buscar fazer um relatório integrado de suas operações, com informações econômicas e socioambientais, a empresa está finalizando sua estratégia e visão para 2030. “Reduzir não é mais suficiente. Nem compensar. É preciso regenerar. Não é o produto sustentável que tem de custar mais caro, o não sustentável precisar carregar no preço o impacto que gera. Estamos planejando como atingir isso no futuro”.

A gerente de departamento de Relações com o Mercado do Bradesco, Ivani Benazzi de Andrade contou ao público que 50% da carteira de clientes do banco é formada por pessoas das classes C, D e E. Desses, 25% são D e E. “Nosso desafio é ter produtos e tecnologias para essa fatia de mercado. Não só levar o produto, mas explicar como ele funciona e oferecer educação financeira. Isso também é uma forma de desenvolvimento”, ressalta. No Amazonas, por exemplo, o banco mantém um barco-agência no Rio Solimões com 250 mil clientes, que antes levavam até 7 dias até uma agencia bancária.

Andrea Bergamaschi, gerente de projetos do movimento Todos pela Educação apresentou que o objetivo da iniciativa é promover uma coalizão nacional com atores de diferentes setores. Para isso, foi construída uma plataforma com metas e indicadores de organizações e governos. Ao todo, são 4 grandes temas a serem monitorados: de 4 a 17 anos todos na escola; Todos alfabetizados até 8 anos; Todos na série adequada a sua idade e Conclusão na idade certa; Investimento ampliado e bem gerido. “Para conseguir chegar num resultado, é preciso metas claras”, destaca.

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