Sinodalidade: o atraso da Igreja Católica

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25 Janeiro 2021

Alguns especialistas analisam em um encontro online a possibilidade de realizar a sinodalidade na Igreja Católica. Discute-se muito sobre "poder" na Igreja Católica: o principal pedido é o de maiores direitos de codeterminação. Atualmente, "sinodalidade" é a palavra mágica usada por muitos na Igreja Católica. Já há algum tempo, o Papa Francisco fala com frequência de "Igreja sinodal". Na Alemanha, bispos e leigos iniciaram o Caminho sinodal para explorar a possibilidade de reformas e, no outono alemão de 2022, está previsto um sínodo de bispos com o tema "Por uma Igreja sinodal: comunidade, participação e missão".

A reportagem é de Karin Wollschläger, publicada por Dom Radio, 23-01-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

A um exame atento, a palavra "sinodalidade" não é definida com precisão, no controle ortográfico a palavra não aparece, embora seja carregada de um enorme valor positivo. Ao mesmo tempo, o bispo de Dresden, Heinrich Timmerevers, sintetiza bem a ideia para muitos fiéis: “No que diz respeito à sinodalidade, como Igreja católica, realmente temos um grande atraso”.

A eleição do bispo em St. Gallen como exemplo pela participação dos fiéis. Na sexta-feira, em uma conferência online da Academia Católica da diocese de Dresden-Meissen sobre o tema “Plenos poderes. A sinodalidade eclesial no século XXI”, com essa frase o bispo Timmerevers abre o campo para um discurso de especialistas sobre as possibilidades, oportunidades e limites dos direitos de codeterminação na Igreja Católica. O ex-presidente do Bundestag, Norbert Lammert, esclarece as vantagens da participação do ponto de vista político: “Em todas as áreas em que se trata de equilíbrio de interesses, os processos de decisão democráticos são superiores a todos os outros”.

Ao mesmo tempo, ele destaca: “Com a abertura à coparticipação de muitos, os processos de tomada de decisão tornam-se mais complexos e longos e muitas vezes levam a soluções de compromisso. No entanto, desta forma, a capacidade de julgar questões específicas é geralmente maior e o risco de erros é reduzido”. Segundo Lammert, o contrário ocorre no caso de processos de tomada de decisão autoritários. Claro, é preciso sempre sondar qual forma de coparticipação possa ser a mais adequada. E motivar objetivamente escolhas divergentes.

Como exemplos concretos no encontro, fala-se repetidamente da participação na escolha dos bispos. O historiador da Igreja Franz Xaver Bischof (Munique) mostra em uma síntese histórica como na antiguidade um procedimento amplo e complexo para a nomeação de bispos acabou levando na Idade Média, no curso de uma "clericalização da Igreja Ocidental", à exclusão dos laicos da escolha. Com base na escolha do bispo em 2006 na diocese suíça de St. Gallen, ele demonstra como já seja possível um maior envolvimento dos fiéis. Referindo-se à atual crise de confiança e credibilidade da Igreja, o historiador exorta: “Hoje é mais urgente do que nunca ter bispos que sejam autênticos e que se sintam obrigados à sinodalidade”.

A especialista em dogmática: até agora tivemos boas experiências com o Caminho Sinodal. No que diz respeito à sinodalidade, porém, há uma lacuna entre a ideia e a realidade, diz a canonista Sabine Demel de Regensburg: “A Igreja, considerada como comunidade de irmãos e irmãs, requer, se levada a sério, igualdade estrutural no acesso aos ministérios e serviços - mas esta não é a realidade da Igreja, pelo contrário, existe uma posição de poder unilateral por parte do clero”. No entanto, Demel já vê a possibilidade de desmantelar a posição clerical privilegiada imediatamente e sem a necessidade de mudar as leis.

Autorregulamentações voluntárias são claramente o meio para chegar a escolhas compartilhadas: por isso, propõe uma adesão voluntária do bispo e dos padres ao "Conselho do Povo de Deus". Isso está sendo testado na diocese de Hildesheim, onde o bispo Heiner Wilmer instituiu um órgão desse tipo que lhe fornece consultoria. Segundo Demel, também seria plausível que os bispos se empenhassem em apresentar um relatório anual. Poder-se-ia argumentar que tais autorregulamentações são na verdade "concessões", mas talvez sejam também um banco de teste par conferir com quanta seriedade os bispos realmente estão tomando consciência da necessidade de uma mudança na direção de uma maior sinodalidade.

A estudiosa de dogmática de Erfurt, Julia Knop, também enfatiza que a sinodalidade precisa tanto de estruturas adequadas quanto de convicção por parte das pessoas. Na Alemanha, algo novo está sendo experimentado com o Caminho Sinodal, do qual ela participa, para definir colegialmente os processos de reforma necessários. “É um experimento, até agora as experiências têm sido positivas”, diz Knol. “Mas também percebemos que estamos fazendo um exercício e que estamos apenas começando. O diálogo igual entre bispos e os chamados laicos ainda não é algo dado como certo”.

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