Le Monde analisa motivações por trás de "Bolsonaro, o presidente-miojo”

Revista ihu on-line

Caetano Veloso. Arte, política e poética da diversidade

Edição: 549

Leia mais

Mulheres na pandemia. A complexa teia de desigualdades e o desafio de sobreviver ao caos

Edição: 548

Leia mais

Clarice Lispector. Uma literatura encravada na mística

Edição: 547

Leia mais

Mais Lidos

  • “A pastoral com as pessoas LGBT deve fazer parte do caminho sinodal”, defende o cardeal de Bolonha

    LER MAIS
  • As origens do termo “gaúcho” e nossas heranças indígenas. A história que não te contam

    LER MAIS
  • Os padres das novas gerações e o ‘modelo’ padre Pino Puglisi: uma distância intransponível?

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


29 Outubro 2019

O jornal francês destaca, não sem certa ironia, o fato do presidente do Brasil ter “gostos de comida simples e terrivelmente restritos, impedindo-o de tocar em vários pratos, especialmente no exterior".

A reportagem é publicada por Rádio França Internacional – RFI, 29-10-2019.

Segundo o correspondente do jornal francês no Brasil, Bruno Meyerfeld, a postura anti-gastronômica do presidente brasileiro não teria nada de ingênua. Ela seria executada para apelar ao eleitorado do "Brasil profundo", e faria parte de uma estratégia de comunicação eficaz.

“Em suas viagens internacionais, há uma coisa que Jair Bolsonaro nunca esquece de levar em sua mala”, escreve o jornalista Bruno Meyerfeld, correspondente do Le Monde no Brasil. “Seria um livro? Um amuleto da sorte? Uma arma? Nada disso. São pacotes de macarrão instantâneo”.

O jornal francês destaca, não sem certa ironia, o fato do presidente do Brasil ter “gostos de comida simples e terrivelmente restritos, impedindo-o de tocar em vários pratos, especialmente no exterior”.

“Essa sensibilidade palaciana foi expressa excessivamente - como sempre - durante uma viagem ao Japão de 21 a 24 de outubro”, publica o vespertino. Le Monde lembra que, Bolsonaro, visitando Tóquio para a entronização do imperador Naruhito, foi convidado a um "banquete imperial", “infinitamente refinado baseado em peixes e frutos do mar, especialmente projetado para chefes de estado e cabeças coroadas como o príncipe Charles, Albert de Mônaco ou o presidente alemão Frank-Walter Steinmeier”.

Falha diplomática

“Desembarcado no banquete de fraque, com o peito envolto em medalhas, Bolsonaro não abriu mão de seus hábitos e não tocou no banquete sumptuoso - contente com o famoso macarrão, preparado e provado no hotel após as festividades”, conta Meyerfeld aos franceses.

"Eu não gosto de comida à base de peixe, como apenas frito e cozido, explicou o presidente aos repórteres, acrescentando que não havia comido nada”, cita o jornal. “Uma falha diplomática, quase uma afronta suprema, na terra do sushi e do sashimi”, avalia o repórter.

“Como sempre, Bolsonaro não se escondeu nem se desculpou. Pelo contrário. Visivelmente orgulhoso de seu gesto, o presidente de extrema direita chegou a posar para uma transmissão de fotos nas redes sociais, com um pacote de miojo na mão”, publica Le Monde.

"Ele comeria até pedras"

“Mas com o 'presidente-miojo', como é apelidado, os cozinheiros do palácio de Alvorada (residência do Chefe de Estado) tiveram que reduzir seu cardápio”, explica Le Monde. "Bolsonaro não tem exigências, ele comeria até pedras", já disse à imprensa uma pessoa próximo do chefe de Estado.

“A ‘bolstronomia’ pode ser resumida em feijoada (prato nacional feito de arroz, feijão e mandioca), carne grelhada, sanduíches e refrigerantes. A única extravagância (um pouco nauseante) do presidente acompanha o café da manhã: Bolsonaro de fato espalharia no seu pão... leite condensado”, diz o jornalista.

Uma estratégia de comunicação eficaz

Le Monde recorda que “de Nova York ou Brasília, Bolsonaro multiplicou suas ‘viagens de cantina’ ou ‘autoatendimento’. “Porque, apesar das aparências, essa postura anti-gastronômica é bem pensada e faz parte de uma estratégia de comunicação eficaz”, diz o jornal.

“Mas toda a família Bolsonaro não come do mesmo prato”, lembra o jornal. “Visitando Washington no final de agosto, Eduardo, o filho querido do presidente, fez uma boa refeição com os assessores e o Ministro de Relações Exteriores, em um restaurante muito chique da capital norte-americana: o Del Mar, às margens do Potomac”, diz o periódico.

“No cardápio do almoço: paella, tapas e sangria, com uma conta salgada de quase US$ 1.000 dólares, segundo a imprensa; tudo à custa do contribuinte. Um pouco envergonhado, Eduardo saiu do estabelecimento pela cozinha. Sem dúvida, para evitar as perguntas dos jornalistas”, afirma Le Monde.

 

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Le Monde analisa motivações por trás de "Bolsonaro, o presidente-miojo” - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV