Cardeal Suárez Inda: ''Os casos de pedofilia devem permanecer secretos''

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23 Janeiro 2018

“A pedofilia na Igreja? Não deveria ser tornada pública. Os abusos de menores são questões delicadas...” O claro posicionamento vem de um fidelíssimo do Papa Francisco, o cardeal mexicano Alberto Suárez Inda, arcebispo emérito de Morelia, entrevistado pelo vaticanista do canal italiano Mediaset Fabio Marchese Ragona, no seu livro Tutti gli uomini di Francesco [Todos os homens de Francisco] (San Paolo Edizioni, 384 páginas).

A reportagem foi publicada por Tgcom24, 22-01-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No volume, todos juntos, os cardeais eleitores criados por Bergoglio se narram, pela primeira vez, revelando também detalhes inéditos da sua vida e da missão que desempenham nos cinco continentes. Uma viagem inédita que parte do coração da cristandade, a Cidade do Vaticano, e que termina na Oceania, atravessando todos os outros continentes. Com bastidores surpreendentes, nunca revelados, até mesmo sobre o conclave que elegeu o Papa Francisco.

Eis a entrevista.

No seu país, a chaga da pedofilia ainda pesa muito?

Neste momento, a Igreja está se concentrando em dar uma formação ferrenha e um maior equilíbrio afetivo que garanta, no limite das expectativas, que os futuros sacerdotes vivam a própria vocação com fidelidade, comprometendo-se plenamente “por amor, com amor, no amor”, como afirma um ilustre especialista, o padre Amedeo Cencini. Para toda a Igreja, os casos de abusos de menores criam dor, e, por isso, foram previstos um protocolo e uma legislação muito severa.

O que deve ser feito quando se detectam casos de abusos do clero contra menores?

O papa nos convida à “tolerância zero”, porque a pedofilia é como um vírus, uma epidemia que envolve o mundo, não só a Igreja. Os abusos de menores são questões muito delicadas, e eu não concordo em tornar públicos esses casos. Se houver casos, eles devem ser imediatamente denunciados, de acordo com as indicações da Santa Sé, porque são crimes que vão contra a dignidade dos indefesos e dos menores.

Eminência, no México, os padres também estão na mira dos narcotraficantes...

Já faz vários anos que, aqui no México, os problemas do narcotráfico e da violência por parte de grupos criminosos se agravaram. Especialmente nas áreas onde eles disputam o território ou onde estão as suas bases. Só nos últimos cinco anos, no México, foram assassinados oito sacerdotes, dois deles justamente na minha diocese. Outros padres também foram mortos porque denunciavam o tráfico de drogas. E quem levanta a voz paga. Acredito, porém, que não é uma perseguição contra a Igreja, mas o ápice de uma situação de perigo sofrida por toda a população. Os homicídios geralmente ocorrem apenas como resultado de um assalto, e esses criminosos não se importam com quem têm pela frente. Infelizmente, todos os dias, muitas pessoas perdem a vida nas mãos dessas pessoas.

Por que esse problema ainda não pode ser resolvido?

Infelizmente, o consumo dessas substâncias não para, especialmente nos Estados Unidos. Portanto, existe um interesse nesse mercado que progride cada vez mais. Devemos convencer a nossa gente de que o narcotráfico mata todos, tanto os traficantes quanto os consumidores. É um câncer, um monstro feio, que destrói tudo.

Como se deve reagir para erradicar essa praga?

Rezando ao Senhor Jesus e dialogando com as autoridades. E, depois, com a educação e a evangelização. As famílias e especialmente os jovens que não têm trabalho devem ter alternativas, oportunidades para seguir em frente: não podem estudar, e, assim, o narcotráfico se torna uma tentação sem remédio.

O senhor falava dos Estados Unidos, onde tantos mexicanos vão procurar trabalho. Mas há quem pense em construir um muro para evitar as ondas migratórias...

O governo mexicano está tentando estreitar acordos e relações com outros países, porque não podemos permanecer isolados, sozinhos. O muro que se quer construir é uma vergonha. Todos os muros são uma vergonha, e não pode ser uma solução em longo prazo. As coisas são feitas para mudar. Hoje, as coisas são assim, e talvez amanhã poderá haver soluções diferentes. O nosso objetivo hoje é tornar o México um país melhor com oportunidades de trabalho para todos.

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