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07 Setembro 2017

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 18,15-20 que corresponde ao 23° Domingo do Tempo Comum, ciclo A do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

Embora as palavras de Jesus, recolhidas por Mateus, sejam de grande importância para a vida das comunidades cristãs, poucas vezes atraem a atenção de comentaristas e predicadores. Esta é a promessa de Jesus: "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou no meio deles".

Jesus não está a pensar em celebrações massivas, como as da praça de São Pedro em Roma. Embora só sejam dois ou três, ali está Ele no meio deles. Não é necessário que esteja presente a hierarquia; não faz falta que sejam muitos os reunidos.

O importante é que «estejam reunidos», não dispersos nem em confronto: que não vivam desqualificando-se uns aos outros. O decisivo é que se reúnam «em seu nome»; que escutem a sua chamada, que vivam identificados com o seu projeto do reino de Deus. Que Jesus seja o centro do seu pequeno grupo.

Esta presença viva e real de Jesus é a que deve animar, guiar e sustentar as pequenas comunidades dos Seus seguidores. É Jesus quem deve alentar a sua oração, as suas celebrações, projetos e atividades. Esta presença é o «segredo» de toda a comunidade cristã viva.

Os cristãos não podem reunir-se hoje nos nossos grupos e comunidades de qualquer forma: por costume, por inércia ou para cumprir umas obrigações religiosas. Seremos muitos ou, talvez, poucos. Mas o importante é que nos reunamos em seu nome, atraídos pela sua pessoa e pelo seu projeto de fazer um mundo mais humano.

Temos de reavivar a consciência de que somos comunidades de Jesus. Reunimo-nos para escutar seu Evangelho, para manter viva sua recordação, para contagiar-nos pelo seu Espírito, para acolher em nós sua alegria e sua paz, para anunciar sua Boa Nova.

O futuro da fé cristã entre nós dependerá em boa parte do que façam os cristãos nas nossas comunidades concretas nas próximas décadas. Não basta o que possa fazer o Papa Francisco no Vaticano. Tampouco podemos colocar a nossa esperança no punhado de sacerdotes que possam ordenar-se nos próximos anos. A nossa única esperança é Jesus Cristo.

Somos nós os que temos de centrar as nossas comunidades cristãs na pessoa de Jesus como a única força capaz de regenerar a nossa fé gasta e rotineira. O único capaz de atrair os homens e mulheres de hoje. O único capaz de gerar uma fé nova nestes tempos de incredulidade. A renovação das instâncias centrais da Igreja é urgente. Os decretos de reformas, necessários. Mas nada tão decisivo como voltar com radicalidade a Jesus Cristo.


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