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Por: Ricardo Machado | 09 Março 2017

A difícil e complexa realidade política e social do Brasil contemporâneo foi o tema do primeiro evento presencial do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em 2017. O professor e pesquisador Bruno Lima Rocha, proferiu a conferência, A conjuntura brasileira. Limites e possibilidades, na noite da quinta-feira, 9-3-2017, na sala Ignacio Ellacuría e companheiros.

Ao tentar identificar os movimentos que dão origem à onda conservadora que, pela primeira desde a redemocratização, perdeu o receio de sair às ruas e dizer seu nome em alto e bom tom, Bruno sustenta que há uma espécie “incorporação da ideologia neoliberal que atravessa o aparelho judicial brasileiro”. Se é verdadeiro que os políticos dos poderes Executivo e Legislativo não gozam de popularidade e, tampouco, são aceitos pela população, juízes e promotores correm por fora e parecem estar acima de quaisquer suspeição.

No fundo, a crença que serve de base a esse messianismo jurídico é sustentada pela ideia de que se pode “limpar” a corrupção nacional “por dentro”. Vale observar que os efeitos deste tipo de pensamento se percebe em outras expressões sociais. “Esses setores estão em ascensão porque dialogam com a opinião pública e publicada”, pondera o conferencista.


Professor Bruno na Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros, no IHU (Foto: Ricardo Machado/IHU)

Eleições 2018

Na opinião de Bruno, o cenário para as duas próximas eleições ainda está totalmente indefinido. Não se pode tampouco projetar que será Temer a entregar a faixa presidencial em 1° de janeiro de 2019. “Em síntese há duas possibilidades: se a lava-jato se manter e ir até o fim das investigações é provável que Temer seja sacado; mas há a chance de se protelar os processos no judiciário com recursos e sobreviver até o final de 2018”, analisa.

Entretanto, o pesquisador dá um passo atrás para entender quais disputas de poder estão em jogo. O impeachment, de acordo com sua avaliação, tinha como objetivo principal implementar as políticas de austeridade a toque de caixa. “O horizonte não é 2018, mas a implementação das políticas de austeridade que estavam postas à mesa desde a eleição”, destaca.

O principal problema a longo prazo, na análise de Bruno, é que na intersecção do descrédito político e dos escândalos de corrupção, abre-se um vazio que pode ser ocupado pelos setores mais radicais. “A parte violenta da sociedade ganhou força com o atual arranjo de forças, que tem na condenscendência dos magistrados e doutrinadores um apoio importante”, critica.

Finalmente, o “fim” da era Vargas

O último discurso de Fernando Henrique Cardoso como senador da república, em 1994, às vésperas de receber a faixa presidencial, dizia que a “era Vargas” havia acabado. Embora, o projeto neoliberal de privatização de várias estatais tenha sido empreendido com certo “sucesso”, a Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT se mantiveram relativamente intactas. No entanto, investidas da possível Reforma Previdenciária coloca em questão o modelo de sociedade pós Constituição de 1988. “Dentro desse jogo é inegável afirmar que só vai haver tréguas dos atuais governantes se obstruírem, de uma vez por todas, Vargas”, assevera o professor.

“Toda a semana há um passo à frente em direção ao projeto neoliberal”, dispara Bruno. Ao analisar o governo Dilma, ele também reconhece certas contradições, como a de ter defendido um programa político durante a campanha eleitoral e ter governado com outro, sendo Joaquim Levy figura emblemática desse processo. “A ex-esquerda que era objeto de aliança com os golpistas está fragmentada. Creio que a agenda conservadora também seria implementada, mas com um certa vergonha, não como prêmio, como estão fazendo os que levaram Dilma ao impeachment”, frisa. No castelo de cartas do poder brasileiro, até mesmo um suspiro é capaz de desabar a atual estrutura do poder nacional.

Assista a conferência na íntegra

Bruno Lima Rocha


Bruno Lima Rocha

Bruno Lima Rocha é cientista político, com mestrado e doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, e jornalista graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. É professor de Relações Internacionais na ESPM-Sul e de Comunicação Social – Jornalismo na Unisinos.

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