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25 Janeiro 2017

O novo e polêmico presidente dos Estados Unidos pode ser a deixa perfeita para um Papa politicamente ativo.

O artigo é de Jacopo Barigazzi, publicada por Politico, 24-01-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Donald Trump protestou contra a globalização e conduziu uma imprevisível campanha populista - muitas vezes no Twitter - para ganhar uma gama de fiéis seguidores.

Praticamente o mesmo poderia ser dito a respeito do Papa Francisco.

Ambos têm se mostrado hábeis em aproveitar os movimentos populares para impulsionar suas próprias ideias e sua ascensão ao poder. Mas as mensagens políticas a que ambos se afiliam são visivelmente opostas e suas versões de populismo, diferentes. Isto cria uma rivalidade em potencial que pode facilmente tornar-se conflito verbal nos próximos meses.

Trump e o Papa já divergiram a respeito da imigração, e a instalação de Trump na Casa Branca pode se tornar a deixa perfeita para um Papa ativista político, que se tornou uma estrela-guia dos movimentos alt-left da esquerda em toda a Europa.

Papas e presidentes já tiveram conflitos antes, "desde brigas com Bill Clinton sobre o controle de natalidade e o direito ao aborto, até divergências entre George W. Bush e João Paulo II, que se opunha à guerra no Iraque", disse John L. Allen, autor de nove livros sobre o Vaticano e outras questões católicas. "Então, é razoável acreditar que haverá conflitos durante o mandato de Trump."

São muitas as áreas de divergência entre Trump e Francisco.

Após a eleição de Trump, em novembro, o Papa convidou alguns dos principais cientistas do mundo ao Vaticano, alegando que "nunca se precisou tanto da ciência" e condenando a "facilidade com que a posição baseada em evidências científicas sobre o estado do nosso planeta pode ser descartada". Embora ele não tenha mencionado os republicanos ou Trump, que afirmou que sairia do acordo de Paris em prol aquecimento global, a relação era clara.

"Os Estados Unidos aliaram-se a um Congresso anticiência sob o controle um impostor inadequado ao cargo", escreveu o colunista Neil Steinberg no Chicago Sun-Times, no início deste mês. "A liderança do Papa Francisco é bem-vinda."

Durante a campanha eleitoral dos EUA, a bordo do avião papal, o Papa disse aos jornalistas que alguém cuja meta é construir muros "não é cristão". Trump respondeu no Facebook: "Se e quando o Vaticano for atacado pelo ISIS, que como todos sabem seria o seu principal prêmio, juro que o Papa iria apenas desejar e orar para que Donald Trump tivesse sido presidente, porque então isso jamais teria acontecido".

O Oriente Médio apresenta outro possível foco de conflito.

"É provável que haja tensões sobre o Oriente Médio, já que Trump é absolutamente pró-Israel e tanto o Vaticano em geral quanto Francisco, pessoalmente, são um pouco mais críticos", disse Allen.

A Igreja pode também se envolver na luta por valores norte-americanos. A revista católica Crux publicou na semana passada que , considerando a eleição de Trump e um Congresso republicano que ameaça privatizar os serviços sociais, é possível que os bispos estadunidenses "mudem suas prioridades de questões morais, como o aborto, novamente para questões sociais, como a justiça econômica e a imigração".

Por enquanto, em relação a Trump, o Papa Francisco está esperando para ver. Ele declarou, em uma entrevista ao espanhol El País, no domingo, que não gostava "de se antecipar nem julgar as pessoas prematuramente. Vamos ver como ele age, o que faz, e a partir disso vou formar uma opinião."

'Economia que mata'

Ao contrário de seu antecessor Bento XVI, um acadêmico alemão conservador, defensor ferrenho da ortodoxia católica, que fazia conferências sobre valores morais absolutos, Francisco é um jesuíta argentino mais aberto a questões de justiça social e que tem expressado a plenos pulmões as dúvidas da Igreja sobre a eficácia do capitalismo, que ele descreveu como "uma economia que mata".

Francisco pediu que uma "globalização da esperança" substituísse "a globalização da exclusão e da indiferença" - discurso bem acolhido pela esquerda da Espanha, o movimento antiausteridade Podemos, que ficou em terceiro lugar nas eleições de junho. "Se por populismo entendemos uma política que cuida dos problemas e dos interesses das pessoas, então certamente ele é um Papa populista", disse Txema Guijarro, legislador do Podemos. "Eu não diria que [Francisco] é um líder, mas sim uma pedra de toque" para a extrema esquerda.

Como Trump, o Papa muitas vezes se comunica diretamente com as pessoas através do Twitter. Como Trump, ele claramente gosta de improvisar em seus discursos. E, como Trump, desconhece grupo de quem ele não goste.

Na América Latina, a influência política do Papa estendeu-se a um papel importante na negociação de um acordo diplomático entre Cuba e os EUA e de intervenção na Venezuela após a morte de Hugo Chavez, em 2013, em uma tentativa de evitar a instabilidade política.

"O Papa é influente não apenas por sua retórica, mas também por suas ações", disse Guijarro, que vê Francisco como um oponente natural de Trump, embora seja muito cedo para afirmar se ele vai assumir esse papel na prática. "Ele trabalha em um nível muito diferente, embora, é claro, também seja um político e não apenas líder da Igreja."

Movimentos de base de extrema-esquerda têm batido muito na porta do Papa - e muitas vezes têm a encontrado aberta. Em três ocasiões, ele se reuniu com representantes do que ele chama de "movimentos populares", incluindo grupos antiglobalização. Na última dessas visitas, poucos dias antes das eleições nos EUA, ele apelou para que eles intensificassem sua presença na arena política.

Gianni Vattimo, filósofo italiano e ex-deputado, líder da extrema esquerda na Europa, quer o Papa seja o líder espiritual de um novo movimento antiglobalização.

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