A mulher existe? Artigo de Lucetta Scaraffia

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • “O coronavírus é um pedagogo cruel”. Entrevista com Boaventura de Sousa Santos

    LER MAIS
  • Religião remixada

    LER MAIS
  • A universidade pós-pandêmica. Artigo de Boaventura de Sousa Santos

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


03 Setembro 2016

"Existe uma diferença antropológico-cultural, criada por milênios de marginalização das mulheres na esfera privada, mas que aperfeiçoou características certamente não desprezíveis, mas que, ao contrário, constituem um importante valor social e espiritual."

A opinião é da historiadora italiana Lucetta Scaraffia, membro do Comitê Italiano de Bioética e professora da Universidade de Roma "La Sapienza". O artigo foi publicado no caderno "Donne Chiesa Mondo" do jornal L'Osservatore Romano, 01-09-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Antes de abordar aquele que é um novo e urgente tema atual – ou seja, qual pode ser hoje o lugar da mulher na sociedade, na família, na Igreja – é necessário se perguntar em que consiste a especificidade feminina.

Nos últimos dois números do nosso caderno mensal, fizemos isso aprofundando a maternidade nas suas acepções sociais, não só biológicas, isto é, como capacidade de cuidado e como força de reconciliação.

Com este número, perguntamo-nos em que consiste a diferença feminina, realidade na qual nós acreditamos e que defendemos de ideologias que consideram que é possível obter a liberdade apenas negando toda diferença.

Existe uma diferença antropológico-cultural, criada por milênios de marginalização das mulheres na esfera privada, mas que aperfeiçoou características certamente não desprezíveis, mas que, ao contrário, constituem um importante valor social e espiritual.

A filósofa francesa Camille Froidevaux-Metterie propõe um feminismo que não apague essas especificidades, mas que, ao contrário, as valorize e as torne desejáveis e praticáveis também para a parte masculina da humanidade. Isto é, ela acha que as mulheres não devem percorrer o caminho da igualdade tornando-se "homens como os outros", mas que podem enriquecer as características femininas com as qualidades até agora consideradas masculinas, mas também se espera que o mesmo aconteça para os homens. Ou seja, ela vê a igualdade não como uma mutilação, mas como um enriquecimento.

A nova e radical leitura dos Evangelhos que é proposta por Maria dell'Orto reporta à origem da revolução das mulheres, isto é, à atitude que Jesus mostrou em relação a eles, às palavras que lhes dirigiu: uma imagem diante dos olhos de todos, mas que, por séculos, não se quis ver em sociedades fortemente patriarcais. Sociedades que, também do ponto de vista científico, sempre leram a diferença como uma confirmação da inferioridade feminina e que até tempos muito recentes pensaram também a medicina e a farmacologia apenas em função dos homens.

E pensar que, ainda no Antigo Testamento, no livro de Rute, uma genealogia no feminino inverteu séculos de poder patriarcal.

Leia mais:

É sobre o papel das mulheres que estamos perdendo a batalha cultural contra o Islã radical. Artigo de Lucetta Scaraffia

"A presença de mulheres no Sínodo foi muito negativa." Entrevista com Lucetta Scaraffia

Francisco, um papa que ama as mulheres. Entrevista com Lucetta Scaraffia

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

A mulher existe? Artigo de Lucetta Scaraffia - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV