Encontro de Primazes suspende Igreja Episcopal americana por matrimônio gay

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18 Janeiro 2016

A Igreja Episcopal (The Episcopal Church ou simplesmente TEC) americana foi suspensa da participação plena na Comunhão Anglicana.

A reportagem é de Mark Woods, publicada por Christian Today, 14-01-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

A notícia da decisão foi vazada pelo sítio eletrônico Anglican Ink e o Encontro dos Bispos Primazes da Comunhão Anglicana, ocorrido em Canterbury divulgou o texto integral do documento “a fim de se evitar especulações”.

Essa decisão vem na medida em que o encontro dos arcebispos anglicanos chega ao seu final e marca uma vitória para os conservadores do Global Anglican Future (ou GAFCON, como são conhecidos).

A reunião dos primazes tomou esta decisão depois de alguns encontros turbulentos que contaram com um protesto do líder da Igreja Anglicana de Uganda, o Reverendíssimo Stanley Ngatali.

O documento diz que os desdobramentos recentes ocorridos na TEC concernentes ao reconhecimento das uniões homoafetivas “representam uma ruptura fundamental para com a fé e o ensino assumidos pela maioria das nossas Províncias a respeito da doutrina do matrimônio”. Fazendo referência à Igreja Anglicana do Canadá, o texto complementa dizendo que “os possíveis desdobramentos em outras Províncias poderiam exacerbar esta situação”.
O texto fala ainda da “dor profunda” causada pelas ações da TEC.

O documento afirma: “A doutrina tradicional da igreja, em vista do ensino das Escrituras, sustenta o matrimônio como sendo entre um homem e uma mulher em união fiel e para toda a vida. A maioria dos que se reuniram aqui reafirma este ensino”. Diz que as “ações unilaterais em um assunto de doutrina sem a unidade católica” são consideradas, por muitos dos Primazes, como “uma ruptura para com a responsabilização e interdependência mútua” e que “prejudicam a nossa comunhão e criam uma desconfiança mais profunda entre nós”.

Com a decisão, a TEC perde o seu direito a voto nas instituições e assembleias anglicanas, mas ainda mantém o status de observador, ou seja, os seus representantes poderão estar presentes.

A moção retira a possibilidade de representantes da TEC representarem a Comunhão Anglicana em comissões inter-religiosas ou ecumênicas. Eles não poderão votar nos encontros do Conselho Consultivo Anglicano.

A TEC também poderá não participar e tomadas de decisão sobre “questões de doutrina ou política”, concordaram os primazes.

A decisão foi aprovada por uma margem de dois terços.

O período de três anos foi escolhido para permitir que a TEC ponha a sua casa em ordem. A Convenção Geral dela, que deverá abordar os pontos em questão, está marcada para acontecer em 2018.

A Igreja Anglicana do Canadá também assume uma posição progressista a respeito das relações homoafetivas e foi inicialmente alvejada pelos conservadores do GAFCON. No entanto, o seu arcebispo, Fred Hiltz, disse no encontro que a questão do matrimônio entre pessoas do mesmo sexo será debatida durante o seu próximo Sínodo Geral e que, portanto, o assunto ainda não está definido.

O primaz da Igreja Anglicana de Uganda anunciou nesta quinta-feira (14 de jan.) a sua saída do Encontro dos Bispos Primazes em um sinal da profundeza das divisões aí presentes.

O arcebispo Stanley Ntagali divulgou uma nota dizendo que havia circulado uma resolução na terça-feira pedindo que as igrejas norte-americanas (EUA e Canadá) “voluntariamente se retirassem do encontro e de outras atividades da Comunhão Anglicana até que elas se arrependam das decisões que estão desfazendo o tecido da Comunhão Anglicana em seu nível mais profundo”.

Assim ele se expressou: “Elas não concordaram com este pedido nem pareceu que o arcebispo de Canterbury e seus facilitadores dariam certeza de que este tema seria substantivamente abordado em tempo hábil”.

Não está claro como a notícia da suspensão da TEC vai afetar esta sua decisão.

As esperanças de se manter a unidade substancial da Comunhão Anglicana antes do Encontro dos Primazes não eram grandes, dadas as posições entrincheiradas ocupadas pelos conservadores associados a GAFCON e pelas igrejas progressistas dos EUA e Canadá. O Arcebispo de Canterbury tinha a esperança de criar uma união federal aberta de igrejas centrada em Canterbury; resta saber o quanto desta sua visão ainda segue viva.

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