Brasil diz que vai reduzir 37% das emissões de gases de efeito estufa até 2025

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28 Setembro 2015

A presidente Dilma Rousseff anunciou na manhã deste domingo, 27, em Nova York, que o Brasil terá uma meta de redução de 37% das emissões de gases de efeito estufa do Brasil até 2025, com base nos níveis de 2005. E indica a possibilidade de chegar a uma redução de 43% até 2030.
 
Este é o principal item da aguardada INDC brasileira – sigla em inglês no jargão climático para o conjunto de compromissos que todos os países do mundo têm de propor para o combate às mudanças climáticas. É a contribuição para a Conferência do Clima em Paris, que será realizada em dezembro e tem o objetivo de entregar um acordo global para que o mundo consiga reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

A reportagem é de Giovana Girardi, publicada no portal do jornal O Estado de S. Paulo, 27-09-2015.

A meta surpreende por ser mais ambiciosa que a de muitos países desenvolvidos e mais concreta que as dos países em desenvolvimento. O Brasil é o único nesta categoria, até o momento (o prazo para a entrega das INDCs é 1º de outubro), a apresentar uma redução absoluta de emissões com base em valores atuais. Os demais países em desenvolvimento estão propondo reduções com base em uma trajetória imaginária de quanto as emissões poderiam subir se nada fosse feito – o chamado business as usual. “Podem ficar certos que a ambição continuará a pautar nossas ações”, disse Dilma antes de apresentar os números.

Para alcançar esse valor, o País propõe, até 2030:

Na matriz energética - Garantir a presença de 45% de fontes renováveis, incluindo hidráulica. Garantir presença de 32% de renováveis como solar, eólica, biomassa e etanol.

Considerando apenas a matriz elétrica - Aumentar o uso sustentável de energia renovável (solar, eólica e biomassa), excluindo hidráulicas, para pelo menos 23% da geração elétrica brasileira.

Em florestas - Alcançar o desmatamento ilegal zero no bioma amazônico e compensar as emissões da supressão legal de vegetação; restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares

Restaurar um adicional de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e alcançar 5 milhões de hectares de sistemas de integracão lavoura-pecuária-floresta.

Dilma reafirma um discurso que vem sendo adotado nos últimos anos de que o Brasil foi a nação que já mais reduziu suas emissões. De acordo com dados do governo, entre 2005 e 2012, o País teve uma redução de mais de 41% das emissões de gases de efeito estufa, saindo de 2,04 gigatoneladas (Gt) de CO2-e para 1,2 Gt.

Isso foi conquistado principalmente pela redução de cerca de 80% do desmatamento da Amazônia. Pelos valores propostos agora, as emissões subiriam um pouco até 2025, considerando os valores de 2012, chegando a 1,28 Gt – por conta do crescimento da demanda energética. Mas cairiam para 1,16 Gt em 2030.

Esses dados consideram a chamada emissões líquidas – que descontam do valor real emitido aquilo que é absorvido pelas florestas no processo de fotossíntese.

"O Brasil contribui, assim, decisivamente, para que o mundo possa atender as recomendações do Painel de Mudança do Clima, que estabelece o limite máximo de 2º Celsius de aumento de temperatura, neste século", disse a presidente.

Ela afirma que o Brasil é um dos poucos países em desenvolvimento a assumir uma meta absoluta de redução de emissões. "Temos uma das maiores populações e PIB do mundo e nossas metas são tão ou mais ambiciosas que aquelas dos países desenvolvidos", afirmou.

"Nossa INDC considera ações de mitigação e adaptação, assim como as necessidades de financiamento, de transferência de tecnologia e de formação de capacidade. Inclui ações que aumentam a resiliência do meio ambiente e reduz os riscos associados aos efeitos negativos da mudança do clima sobre as populações mais pobres e vulneráveis, com atenção para as questões de gênero, direito dos trabalhadores, das comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais", continuou Dilma em seu discurso na ONU.

Repercussão

A proposta está sendo considerada melhor que o esperado. "Embora insuficiente do ponto de vista do que seria a contribuição justa do Brasil para evitar que se ultrapasse o limite de 2 graus Celsius de aquecimento neste século, a meta brasileira é uma das mais ambiciosas apresentadas até agora. A presidente Dilma demonstra, com seu anúncio, que o Brasil quer deixar o grupo de países que fazem parte do problema para integrar o grupo dos que buscam a solução", afirma Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima.

“Como a maior economia da América Latina, as propostas do Brasil o acordo climático de Paris interessam a todos nós latino-americanos, especialmente os menores países. Este é precisamente o sinal de que precisamos do Brasil: uma meta absoluta para toda a economia com reduções absolutas e descarbonização neste século. É uma virada de jogo. Estou otimista com este plano brasileiro, que nos envia um sinal de que que precisamos aumentar a ambição da nossa região no caminho para Paris”, afirma Monica Araya, especialista da Costa Rica em clima e diretora da rede Nivela.

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