Mídia Ninja é chamado de 'seita' por ex-integrante

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10 Agosto 2013

De franco-atirador a vidraça. Alçado à fama durante os protestos pela cobertura ousada e hostil à polícia, o grupo Mídia Ninja passou a ser alvo de duras críticas nos últimos dias por ex-integrantes e ex-colaboradores.

Em textos divulgados nas redes sociais, acusam a organização de agir como uma "seita" e de promover uma escravidão "pós-moderna" por não remunerar artistas em eventos que são patrocinados com dinheiro público.

A reportagem é de Fabiano Maisonnave e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 10-08-2013.

O alvo direto dos ataques é o Fora do Eixo (Fde), organização mais ampla responsável pelo Mídia Ninja - os integrantes são os mesmos -, mas com foco maior em produção de eventos culturais.

Surgido há cerca de dez anos, tem presença declarada em 200 cidades. Em várias, há casas coletivas, onde moram e trabalham seus integrantes. Só no ano passado, o grupo movimentou R$ 13 milhões, entre festivais de arte e consultorias.

Um dos depoimentos mais fortes é o da jornalista Laís Bellini, que morou no ano passado na principal casa da organização, no centro de São Paulo. Ali, conviveu com Pablo Capilé, 34, fundador do Fde, a quem chama de "rei" de uma "ditadura monárquica" que promove o "escravismo mental e financeiro" da "seita".

COOPTAR

Em texto publicado no Facebook, Bellini afirma que, sem receber salário, era submetida a uma carga intensa de trabalho, incluindo afazeres domésticos, que, apesar da promessa de "horizontalidade", não incluíam os líderes do Fde.

Ela diz que a organização lhe deve R$ 4.500, dívida que inclui passagem aérea comprada com o cartão de crédito de sua mãe.

Ela acusa ainda o coletivo cultural de usar a estratégia de "catar e cooptar": militantes são orientados a seduzir sexualmente potenciais integrantes do grupo.

"Se você for considerado um perfil estratégico para estar e entrar na rede, cuidado, você em breve pode perceber alguma pessoa que vai se aproximar bastante de você, mas bastante mesmo, a ponto de demonstrar muito desejo por você", escreveu.

"Essas conversas acontecem em reunião e ali é definido o nome da pessoa que vai partir pra cima", diz ela.

Outra que usou as redes sociais para atacar o Fde foi a cineasta Beatriz Seigner.

Ela conta que participou de uma série de debates de um projeto "embrionário" e que a remuneração seria com "cubo card", moeda solidária inventada pelo grupo e que poderia ser trocada por "serviços".

Além de não receber nada, Seigner conta que só depois descobriu que alguns debates tinham patrocínio financeiro do Sesc.

Críticas são 'soma de exceções', afirma fundador

Fundador e principal porta-voz do Fora do Eixo, Pablo Capilé disse as acusações contra o grupo são "críticas radicais" de uma "soma de exceções" e que há muito mais pessoas envolvidas com o Fde - cerca de 2.000, segundo ele - do que detratores.

O ativista e produtor cultural nega que haja personalismo em torno dele e do Fde. Como exemplo, diz que o Mídia Ninja tem vida própria, com a maioria dos colaboradores de fora do grupo.

Capilé diz que a casa coletiva do Fde em São Paulo é aberta e que não há nenhuma orientação do grupo para cooptar integrantes por meio de relações amorosas. "Isso é invenção, não existe uma orientação por parte do movimento sobre com quem as pessoas têm de se relacionar", diz.

"É fundamental que as pessoas entrem em contato com os que moram numa casa do Fde, que elas visitem, que conheçam de perto. Se quiserem fazer uma avaliação clara, que busquem conhecer melhor a experiência."

Sobre o dinheiro cobrado por Laís Bellini, ele admite que "tem erro" e que casos assim precisam ser corrigidos.

Capilé afirmou que o Fde defende a remuneração de artistas com os quais trabalha, mas que, em alguns casos, o orçamento não é suficiente.

Ele citou o caso de um festival no Amapá, onde só havia verba para pagar as passagens aéreas, mas era uma oportunidade para o grupo formar público.

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