A eleição das redes sociais

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Por: Cesar Sanson | 16 Outubro 2012

Esta talvez tenha sido a primeira vez no Brasil em que essas ferramentas tiveram tamanho sucesso por todo o país. O comentário é de Raphael Tsavkko Garcia em artigo no blog amálgama, 15-10-2012.

Eis o artigo

Em Natal, no Rio Grande do Norte, Amanda Gurgel (PSTU) foi eleita com mais de 8% dos votos para a Câmara de Vereadores local, tendo a maior votação do país em termos proporcionais. No Rio de Janeiro, Marcelo Freixo (PSOL) beirou os 30% de votos em uma campanha sem nenhum patrocínio (apenas doações de pessoas físicas) e com quase nenhum tempo de TV. Em São Paulo, Celso Russomanno (PRB), de azarão favorito, ficou de fora da disputa no segundo turno, ficando atrás de José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) após estar em primeiro em todas as pesquisas, exceto a última.

Em comum nestes três casos está a força das redes sociais — do Youtube, do Facebook, do Twitter e de outras.

Amanda Gurgel ficou famosa há pouco mais de um ano, quando um vídeo seu, postado no Youtube, fez enorme sucesso, ultrapassando a marca de 2 milhões de views, no qual ela critica duramente a forma pela qual a educação e os professores de Natal eram tratados. Ela conseguiu transformar o sucesso de seu vídeo – e a revolta popular com a situação precária da educação no país – em votos.

Marcelo Freixo tinha por trás de si uma forte militância virtual, mas que sabia também sair do sofá e ir às ruas somar em manifestações várias de apoio ao candidato. Mas foi especialmente via redes sociais que a imagem do candidato se espalhou e ganhou publicidade. Com pouco tempo de TV e quase impossibilitado de fazer campanha nas zonas Oeste e Norte do Rio (dominadas pelas milícias e por cabos eleitorais de Eduardo Paes, do PMDB), Freixo dependeu – e soube usar – ferramentas como o Youtube para espalhar vídeos virais sobre suas propostas. No Tiwtter e Facebook, seus apoiadores espalhavam vídeos, textos, imagens e frases de apoio, conseguindo milhares de votos para ele e para os vereadores do partido (o PSOL dobrou sua bancada na ALERJ, conseguindo 4 vereadores e formando, junto com o PT, a segunda maior bancada). Na falta de tempo na TV e na mídia tradicional para debater propostas e projetos, restou usar as redes sociais para fazê-lo. E com sucesso.

Convocações para manifestações eram feitas online, assim como boa parte da arrecadação feita pelo candidato. Apesar da vitória de Paes, Freixo saiu fortalecido e ensinou como usar satisfatoriamente a internet para passar por cima do bloqueio midiático e das restrições aos partidos menores.

No Recife, Edilson Silva, candidato a vereador pelo PSOL não conseguiu se eleger devido ao quociente eleitoral, mas obteve a quinta maior votação da cidade em uma campanha com forte presença online.

Em São José dos Campos (SP), o PSDB sofreu uma derrota inesperada na corrida pela prefeitura com a vitória do petista Carlinhos Almeida. A cidade foi palco do Massacre do Pinheirinho, cujos episódios mais violentos se espalharam especialmente via redes sociais pelas mãos de ativistas que acompanharam por dias a brutalidade policial contra a população pobre que foi despejada do terreno do especulador Naji Nahas.

Finalmente, em São Paulo, o ex-apresentador de TV Celso Russomanno – que se manteve em primeiro lugar nas pesquisas até as vésperas da eleição – acabou derrotado não apenas pelo pouco tempo que tinha de TV e pela falta de expressividade de seu partido, o PRB, mas também pela pesada campanha feita nas redes sociais, em especial no Facebook, contra um candidato virtualmente desconhecido (do ponto de vista de carreira política, propostas, projetos e sustentação), mas ligado ferrenhamente à estrutura da Igreja Universal e da Record.

Com o perigo de um segundo turno entre Serra e Russomanno, ativistas buscaram a todo custo desconstruir o discurso de Russomanno, expondo sua biografia duvidosa e seus aliados, além do vazio de suas propostas e dele próprio. Com uma manifestação na Praça Roosevelt convocada pelo Facebook #AmorSimRussomannoNão – os ativistas demonstraram ter força tanto nas redes sociais quanto nas ruas para ajudar a derrubar a candidatura de Russomanno. Da mesma forma, a campanha de Fernando Haddad (PT) mostrou ter força entre ativistas virtuais, especialmente aqueles ligados à cultura.

Obviamente, é impossível quantificar ou mesmo qualificar com exatidão a influência das redes sociais no espalhamento de campanhas e propostas ou mesmo na desconstrução de candidatos específicos, mas fica patente que as redes sociais efetivamente influenciaram no resultado das eleições. Elas vêm cada vez mais se tornando fator de democratização de campanhas eleitorais, e mesmo de democratização do espaço público, da sociedade organizada, servindo como contraponto ou complemento à TV e à mídia (imprensa ou online) tradicional.

Candidatos com poucos minutos ou apenas alguns segundos de espaço em propagandas eleitorais e com pouco dinheiro para investir encontram na rede um espaço com infinitas possibilidades, bastando apenas saber usá-las. Não é de hoje que as redes são usadas para campanhas eleitorais, mas esta talvez tenha sido a primeira vez no Brasil em que essas ferramentas tiveram tamanho sucesso por todo o país.

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