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08 Novembro 2019

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho segundo Lc 20, 27-38 que corresponde ao 32° Domingo do Tempo Comum, ciclo C do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

Eis o texto

Jesus não se dedicou a falar muito da vida eterna. Não pretende enganar ninguém fazendo descrições fantasiosas da vida além da morte. No entanto, toda a sua vida desperta esperança. Vive aliviando o sofrimento e libertando as pessoas do medo. Contagia uma confiança total em Deus. Sua paixão é fazer a vida mais humana e feliz para todos, tal como quer o Pai de todos.

Só quando um grupo de saduceus se aproxima com a ideia de ridicularizar a fé na ressurreição, brota do coração crente de Jesus a convicção que sustenta e encoraja toda a Sua vida: Deus “não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para ele todos estão vivos”.

Sua fé é simples. É verdade que nós choramos os nossos entes queridos porque, ao morrer, os perdemos aqui na terra, mas Jesus não pode sequer imaginar que para Deus lhe vão morrendo seus filhos a quem tanto ama. Não pode ser. Deus partilha sua vida com eles porque os acolheu no Seu amor insondável.

A característica mais preocupante do nosso tempo é a crise da esperança. Perdemos o horizonte de um futuro definitivo e as pequenas esperanças desta vida não acabam por nos consolar. Esse vazio de esperança está gerando em muitos a perda de confiança na vida. Nada vale a pena. É fácil, então, o niilismo total.

Nestes tempos de desespero, não nos estarão pedindo a todos, crentes e não crentes, que coloquemos as questões mais radicais que carregamos dentro de nós? Esse Deus de que muitos duvidam, a quem muitos abandonaram e por quem outros continuam a perguntar, não será o fundamento último sobre o qual podemos apoiar a nossa confiança radical na vida? No final de todos os caminhos, no profundo de todos os nossos desejos, no interior das nossas interrogações e lutas, não estará Deus como Mistério final da salvação que estamos procurando?

A fé está a ficar ali, encurralada em algum lugar do nosso interior, como algo pouco importante, que não vale a pena cuidar nestes tempos. Será assim? Certamente não é fácil acreditar, e é difícil não acreditar. Enquanto isso, o mistério último da vida está a pedir-nos uma resposta lúcida e responsável.

Essa resposta é a decisão de cada um. Quero apagar da minha vida toda a esperança última para além da morte como uma falsa ilusão que não nos ajuda a viver? Quero permanecer aberto ao Mistério supremo da existência, confiando que encontraremos a resposta, o acolhimento e a plenitude que andamos a procurar desde agora?

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