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Por: Ana Casarotti e M. Cristina Giani | 18 Agosto 2016

Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, às pressas, a uma cidade da Judéia. Entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança se agitou no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito exclamou:

"Você é bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar? Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança saltou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu." Então Maria disse:"Minha alma proclama a grandeza do Senhor, meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, porque olhou para a humilhação de sua serva. Doravante todas as gerações me felicitarão, porque o Todo-Poderoso realizou grandes obras em meu favor: seu nome é santo, e sua misericórdia chega aos que o temem, de geração em geração. Ele realiza proezas com seu braço: dispersa os soberbos de coração, derruba do trono os poderosos e eleva os humildes; aos famintos enche de bens, e despede os ricos de mãos vazias. Socorre Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera aos nossos pais em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre". Maria ficou três meses com Isabel; e depois voltou para casa".

 

A reflexão corresponde à Festa da Assunção de Maria, do Ciclo C (21 de Agosto de 2016).

 

O cântico de Maria ao Deus que liberta 

Hoje celebramos a Festa da Assunção. Limos o Evangelho de Lucas onde nos é narrada a visita de Maria a sua prima Isabel.

Maria deve atravessar mais de 100km, pela região montanhosa de Nazaré para chegar ao povoado onde mora Isabel. E sua disponibilidade e capacidade de serviço ficam uma vez mais manifestadas.

Ela sabe percebe as necessidades de seu próximo, neste caso Isabel, uma mulher idosa que vive a alegria de uma gravidez tão ansiada.

Seu ouvido escuta o anjo e isso desperta nela uma resposta imediata.
No Evangelho de Lucas Maria é um exemplo da disponibilidade ao favor dos mais carentes e pobres da sua sociedade. Eles eram rejeitados e oprimidos pelo império romano.

A mulher no evangelho de Lucas representa as comunidades cristãs em geral. Lembremos que nesse momento eram perseguidos e isso levava-os a se ajudar mutuamente nas necessidades mais imediatas

Quando Maria saudou Isabel, João Batista, o filho dela e de Zacarias, “se agitou no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo” (Lc 1,41) e reconheceu Maria como “bendita entre as mulheres”, “bendito o fruto do seu ventre”, e como“ mãe” do seu Senhor (Lc 1,42-43).

Maria, cheia de alegria, pronuncia um cântico de ação de graças a Deus, chamado Magnificat, palavra latina que significa “engrandece”.

Este hino segue o modelo do cântico de Ana, a mãe do profeta Samuel, depois do nascimento do seu filho por intervenção divina (1 Sam, 2,1-10).

Como meditação e expressão dos seus sentimentos e emoções, Maria exulta: “Minha alma proclama a grandeza do Senhor, meu espírito se alegra em Deus, meu salvador” (Lc 1,46-47). Maria se faz eco da vivência de Yahvé experimentada pelo povo de Israel ao longo da história: a certeza de fé em um Deus pessoal que ama, que salva e que liberta.

O Deus de Israel escolhe um povo pequeno, pois Ele age gratuitamente. Maria alegra-se, ao proclamar um Deus que chama, que se manifesta sem considerar os limites das pessoas, pois ela, mesmo pertencendo à linha real de Davi, foi criada numa família pobre e desposou um simples carpinteiro.

Maria é consciente da sua humildade e louva o Salvador, porque Ele “olhou para a humilhação de sua serva” (Lc 1,48), porque Ele “eleva os humildes” (Lc 1,52) e preenche o coração das pessoas, especialmente dos mais pequenos. Com sua graça e sua ternura, Ele oferece a sua libertação.

Para o Antigo Testamento, o servidor não é um escravo nem alguém submetido à tirania de um outro. Moisés, protótipo do servo do Senhor, é escolhido para participar da missão libertadora de Deus.

Maria, serva do Senhor, participará da grande libertação de Deus em favor das pessoas, pelo papel que desempenhou na encarnação, na morte e na Ressurreição de Jesus.

Este cântico é considerado por alguns autores como um dos documentos mais revolucionários da história da humanidade.

Ao cantá-lo, Maria reconhece a ação de Deus como parte de um grande e longo processo de cortar as esperanças humanas orgulhosas e de exaltar os humildes.

Representando o povo, ela recebe Deus no seu ventre e canta com os oprimidos e os sofredores que aguardam a libertação: “Ele realiza proezas com seu braço: dispersa os soberbos de coração, derruba do trono os poderosos e eleva os humildes; aos famintos enche de bens, e despede os ricos de mãos vazias” (Lc 1,51-53).

Os primeiros capítulos do evangelho de Lucas nos preparam para acolher Jesus, o Salvador.

Maria, com coração pobre, e solidária com as dores e os anseios do povo, é sensível à ação do Espírito Santo. Ela nos convida a reconhecer as pegadas do Deus que liberta e entoar, com nossa própria voz, um hino de súplica confiada, de louvor e de agradecimento.

 

Oração

Reconhecendo a presença e ação de Deus em nossa vidan e em nossas comunidades, cantemos com Maria ao nosso Deus.

Minha alma proclama a grandeza do Senhor,
meu espírito se alegra em Deus, meu salvador,
porque olhou para a humilhação de sua serva.
Doravante todas as gerações me felicitarão,
porque o Todo-poderoso realizou grandes obras em meu favor:
seu nome é santo,
e sua misericórdia chega aos que o temem,
de geração em geração.
Ele realiza proezas com seu braço:
dispersa os soberbos de coração,
derruba do trono os poderosos e eleva os humildes;
aos famintos enche de bens, e despede os ricos de mãos vazias.
Socorre Israel, seu servo,
lembrando-se de sua misericórdia,
- conforme prometera aos nossos pais -
em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre. (Lucas 1,46-55)

 

Referências

MESQUITA GALVÃO, Antônio. Magnificat: O Evangelho segundo Maria. Petrópolis: Vozes, 1987.

MOSCONI, Luis. Evangelho de Jesús Cristo segundo Lucas. São Paulo. Loyola, 1997.

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