A política “América em primeiro lugar” do Presidente Trump é “uma heresia teológica para quem segue Cristo"

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19 Maio 2018

O bispo Michael Curry e outros líderes da igreja dos Estados Unidos criticaram as políticas do presidente Donald Trump e planejam uma manifestação na Casa Branca na forma de uma vigília silenciosa.

A reportagem é publicada por Anglican Communion News Service, 11-05-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O Bispo Presidente da Igreja Episcopal dos EUA, Michael Curry, vai participar de uma manifestação de líderes cristãos na Casa Branca este mês como parte de um movimento ecumênico para "retomar as ideias de Jesus". A manifestação, marcada para 24 de maio, quinta-feira, marcará o lançamento da the Reclaiming Jesus Declaration, uma declaração que visa retomar as ideias de Jesus, a qual começa com um aviso gritante: "Estamos vivendo tempos de perigo e polarização no país, com uma perigosa crise de liderança moral e política do alto escalão do governo e das igrejas. Acreditamos que a alma da nação e a integridade da fé estão em jogo".

E continua: "É hora de seguirmos Jesus, acima de qualquer coisa – nacionalidade, partido político, raça, etnia, gênero, região geográfica. Nossa identidade em Cristo precede qualquer outra. Rezamos para que nossa nação veja as palavras de Jesus em nós. ‘Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros’ (João 13:35).”

A declaração apresenta uma série de preocupações, como a política "América em primeiro lugar" do presidente Donald Trump. A declaração descreve-a como "uma heresia teológica para os seguidores de Cristo", acrescentando: "embora compartilhemos um amor patriótico pelo nosso país, rejeitamos o nacionalismo xenófobo ou étnico que tem como objetivo político colocar uma nação acima das outras”.

"Rejeitamos a dominação ao invés do manejo dos recursos da Terra, rumo ao verdadeiro desenvolvimento global que traz florescimento humano para todos os filhos de Deus. Servir às nossas comunidades é essencial, mas as conexões globais entre nós são inegáveis. A existência de pobreza global, danos ambientais, conflitos violentos, armas de destruição em massa e doenças mortais em alguns lugares acaba afetando todos os lugares. Precisamos de lideranças políticas que tenham sabedoria para lidar com cada uma dessas questões".

A declaração ainda diz: "Nossas igrejas e nações fazem parte de uma comunidade internacional cujos interesses sempre ultrapassam as fronteiras nacionais. O versículo mais conhecido do Novo Testamento começa dizendo 'Porque Deus amou tanto o mundo' (João 3:16). Portanto, nós devemos amar e servir o mundo e todos os seus habitantes, em vez de procurar prerrogativas nacionalistas limitadas".

A declaração é formulada usando palavras fortes e também ataca a violência de gênero e a misoginia: "Somos um só corpo. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus (Gálatas 3:28). O corpo de Cristo, onde todas essas grandes divisões humanas devem ser superadas, deve ser um exemplo para o resto da sociedade. Quando não conseguirmos superar esses obstáculos opressivos, e até mesmo os perpetuamos, falhamos em nossa vocação no mundo – de anunciar e viver o Evangelho de reconciliação de Cristo".

"Portanto, nós rejeitamos a misoginia, os maus-tratos, o abuso violento, o assédio sexual e a agressão contra mulheres que se revela ainda mais na nossa cultura e política, incluindo nossas igrejas, e a opressão de qualquer outro filho de Deus. Lamentamos quando tais práticas parecem publicamente ignoradas e, assim, perdoadas em particular pelos que ocupam altos cargos de liderança. Defendemos o respeito, a proteção e a afirmação das mulheres nas famílias, comunidades, locais de trabalho, na política e nas igrejas. Apoiamos as corajosas vozes da verdade das mulheres, que têm ajudado o país a reconhecer estes abusos. Confessamos o sexismo como pecado que exige arrependimento e resistência."

A declaração também critica as mentiras e falsidades: "a verdade é moralmente crucial para a vida pública e pessoal. A verdade é crucial para a tradição bíblica profética, cuja vocação inclui falar a palavra de Deus na sociedade e no poder..."

"Portanto, rejeitamos a prática da mentira que está invadindo a vida política e civil. Políticos, assim como as outras pessoas, são humanos, falíveis, pecadores e mortais. Mas quando mentir publicamente torna-se tão comum, a ponto de tentar mudar os fatos de forma deliberada para obter ganho pessoal, político ou ideológico, a responsabilidade pública da verdade é posta em causa".

"Quando autoridades da nação pulverizam ideias falsas e mentiras de forma sistemática e consistente, podem se modificar as expectativas morais dentro de uma cultura, a responsabilização da sociedade civil e até mesmo o comportamento das famílias e das crianças. Normalizar a mentira representa um grande perigo moral para a sociedade. Diante das mentiras que trazem a obscuridade, Jesus é nossa verdade e nossa luz."

O bispo Michael Curry assinou a declaração, em conjunto com outros 22 líderes cristãos, como Peter Borgdorff, da Igreja Cristã Reformada da América do Norte, Amos Brown, da Convenção Batista Nacional; Tony Campolo, co-fundador da Red-Letter Christians; James Forbes, do Union Theological Seminary; o bispo Vashti McKenzie, da Igreja Episcopal Metodista Africana; Ron Sider, da Evangelicals for Social Action; Jim Wallis, presidente e fundador da Sojourners e o bispo Will Willimon, da Igreja Metodista Unida.

Eles concluem a declaração dizendo: "Estamos extremamente preocupados com a alma do país, mas também com as igrejas e a integridade de nossa fé. A crise atual nos chama a ir além – ir além na nossa relação com Deus; nas nossas relações uns com os outros, principalmente atravessando fronteiras raciais, étnicas e nacionais, ir além nas nossas relações com os mais vulneráveis, que estão em maior risco...”

"Em tempos de crise moral e política, precisamos recuperar o poder de confessar a nossa fé com urgência. Lamentar, arrepender-se e reparar. Se Jesus é o Senhor, sempre há espaço para a graça. Acreditamos que é hora de falar e agir com base na fé e na consciência, não por política, mas porque somos discípulos de Jesus Cristo – que detém toda autoridade, honra e glória”.

"É hora de uma nova confissão da fé. Jesus é o Senhor. É a luz em meio às nossas trevas. 'Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida' (João 08:12)".

Às 19:00 (do horário dos Estados Unidos) da quinta-feira do dia 24 de maio, líderes religiosos católicos e outros cristãos vão se reunir pela Igreja Cristã da capital (National City Christian Church), em Washington DC, para um momento de oração e pregação. Às 20:30, vão se direcionar à Casa Branca, onde devem manter uma vigília silenciosa à luz de velas até as 22:00. Mais de 1.000 pessoas devem participar do evento.

"A celebração religiosa, a procissão à Casa Branca e a vigília silenciosa à luz de velas estão sendo planejadas em resposta às crises morais e políticas nos níveis mais altos da liderança política, que colocam em jogo a alma da nação e a integridade da fé cristã", observou o Rev Jim Wallis. "Os irmãos chamam todos os cristãos a lembrar que a nossa identidade em Jesus precede qualquer outra".

Clique aqui para ler a declaração Reclaiming Jesus Declaration na íntegra.

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